28 Jun 2019 | domtotal.com

Necessidade de reforma

A própria mídia, mesmo que em parte seja crítica ao bolsonarismo, se empenha em convencer a sociedade brasileira de que 'sem a reforma o país quebra'.

Logo, o ponto em questão refere-se a que tipo de reformas estamos falando: reformas progressistas ou conservadoras, que atendam interesses das maiorias ou das minorias?
Logo, o ponto em questão refere-se a que tipo de reformas estamos falando: reformas progressistas ou conservadoras, que atendam interesses das maiorias ou das minorias? (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Marcel Farah

Há um esforço notável de emplacar a reforma da Previdência por parte de diversos aliados do governo federal, por vezes mais do que do próprio presidente.

A própria mídia, mesmo que em parte seja crítica ao bolsonarismo, se empenha em convencer a sociedade brasileira de que “sem a reforma o país quebra”.

Este argumento é temperado por uma diversidade de elementos, como um suposto combate a privilégios, uma urgente modernização ou uma suposta redução do custo país. Ademais, as reformas, como a da Previdência, trariam benefícios a longo prazo, mesmo que dolorosas a curto prazo.

Por outro lado, a demanda por reformas, como a reforma agrária, urbana, tributária, das comunicações, foi uma das bandeiras a motivar toda a crítica feita aos próprios governos do PT, do ponto de vista da esquerda.

Logo, o ponto em questão refere-se a que tipo de reformas estamos falando: reformas progressistas ou conservadoras, que atendam interesses das maiorias ou das minorias?

Em excelente artigo, o analista político Wladimir Pomar traça considerações sobre teorias reformistas comparando os diferentes pontos de vista.

De um lado, segundo Pomar, há um discurso construído por economistas burgueses que buscam explicar como reformas foram feitas em diversos países mundo a fora como Chile e Nova Zelândia, para levantar as dificuldades de se efetuar tais reformas no Brasil. Um dos argumentos utilizados é que o Brasil é muito grande e diverso, e que tais reformas seriam impopulares por demorarem tempo para surtir efeito, o que tornaria ambientes mais autoritários mais propícios às tais reformas.

De outro lado, segundo o mesmo autor, este discurso omite reformas realizadas em países que fogem ao espectro neoliberal, como a China e o Vietnã. Assim, Pomar mostra que são irrelevantes os argumentos quanto ao tamanho do Brasil frente o exemplo chinês, ou mesmo que as reformas teriam efeitos práticos somente no longo prazo…

Enfim, Wladimir demonstra como a diferença entre reformas é uma questão política, entre reformas neoliberais e reformas que interessam à classe trabalhadora. Em conclusão o autor afirma que “a efetivação de reformas econômicas neoliberais, privatizantes e mais desnacionalizantes só pode resultar em maior arrocho sobre as classes trabalhadora e excluída e sobre parcelas crescentes das classes médias”.

Por isso, uma reforma previdenciária como a proposta pelo governo bolsonarista é que vai quebrar o país, e não o contrário.

Marcel Farah
Educador Popular
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