11 Jul 2019 | domtotal.com

A resistência dos pontas 

Everton Cebolinha, destaque da seleção na Copa América, é prova que os pontas resistem. Ainda bem.

Pontas são jogadores com características únicas no futebol
Pontas são jogadores com características únicas no futebol (Lucas Figueiredo/CBF)

Por Rômulo Ávila

O futebol moderno no Brasil praticamente excluiu a palavra ponta do seu vocabulário. Mas eles estão aí, mesmo que em menor número em relação ao passado (infelizmente). Everton Cebolinha, destaque da seleção brasileira na conquista da Copa América, é prova que os pontas resistem. Ainda bem.

Desde criança sonhava em ser jogador de futebol. E muito desse sonho era alimentado pelo fascínio com os pontas. A velocidade e os dribles me impressionavam. Eles usavam as camisas 7 e 11 e tinham como principal função chegar à linha de fundo e servir o camisa 9. Vira e mexe também sofriam pênaltis.

O tempo passou, acabei levando a sério o sonho e consegui me profissionalizar em 1998, no querido Villa Nova ou simplesmente Leão do Bonfim. Ah, minha posição? Ponta esquerda!!

Mário Tilico, Sérgio Araújo, Éder Aleixo, Edson e Edvaldo são alguns responsáveis pelo meu encantamento. Lembro como se fosse hoje que era impossível não levantar quando a bola chegava até eles: era sinônimo de perigo e, muitas vezes, de gols.

Dei essa volta toda para fazer um questionamento: onde estão os pontas do futebol brasileiro? Como o país que revelou para o mundo jogadores como Garrincha, Edu, Joãozinho e Éder Aleixo praticamente não consegue revelar mais? Tenho a resposta: é culpa dos treinadores.

No Brasil do futebol moderno se aprende desde cedo: ponta agora é atacante de lado, que ainda tem que voltar para marcar o lateral. Antigamente, ponta tinha tal função, mas só até meio e olhe lá. Era o lateral que preocupava com eles. Não o contrário, como ocorre hoje.

O mais curioso é que o futebol europeu não abre mão dos tais pontas. Sané, Sterling e Mané e o próprio Hazard, infernal pela esquerda, são exemplos. O próprio Neymar rende muito quando atua pelo lado campo. Enquanto isso o futebol brasileiro ainda insiste em mecanizar seus talentos. Ainda bem que surgem surpresas como Everton Cebolinha. Eles não deixam o ponta morrer. A torcida levanta, vibra e agradece.  

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas