15 Jul 2019 | domtotal.com

É ruim ter time bom no futebol brasileiro 


O milionário Flamengo deve ter vários jogadores convocados por seleções na Copa América 2020, prejudicando o clube.
O milionário Flamengo deve ter vários jogadores convocados por seleções na Copa América 2020, prejudicando o clube. (Alexandre Neto / Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

As vitórias de Grêmio e Atlético contra Vasco e Chapecoense no retorno do Campeonato Brasileiro após a Copa América foram com times reservas. O motivo? Evitar que os jogadores “estourem” devido à cruel maratona de jogos neste mês de julho. 

Alguns dos principais clubes brasileiros, como o Tricolor, o Galo, o Cruzeiro, Palmeiras, Flamengo e Internacional, farão sete jogos em 22 dias, um a cada três dias praticamente. Um massacre! A ironia é que isso acontece com os melhores times, ou seja, com aqueles que disputam a Série A do Brasileirão e ainda estão vivos nas copas do Brasil, Libertadores e Sul-Americana.  

É como se ser bom fosse ruim. Os clubes sofrem uma espécie de punição por estarem bem na temporada.  A maratona começou no dia 10 com as quartas de final da Copa do Brasil, prosseguiu no final de semana com a 10ª rodada do Campeonato Brasileiro e seguirá nos próximos meios e fins de semana até o término do mês.  

Num calendário com os Estaduais que tomam quase duas dezenas de datas, com jogos em sua maioria muito ruins tecnicamente e monótonos – somente os dois jogos da final tem apelo e olhe lá –, escolher é preciso. 

Não é possível disputar todas as partidas com o time titular por questões físicas e até psicológicas.  É muito desgastante e perigoso. Dependendo da contusão, um atleta pode ficar meses sem entrar em campo, com prejuízo para sua carreira e para o clube.  

E em 2020, apesar de o Campeonato Brasileiro não parar para a disputa da Copa América como foi agora em 2019, os “times bons” do futebol brasileiro continuarão prejudicados. Quem tiver jogador convocado pela seleção brasileira, que defenderá o título continental na Argentina e Colômbia, terá que liberá-lo. 

E os clubes? Aparentemente aceitam tudo, caladinhos. Deviam se movimentar, se unir para mudar esse calendário absurdo que os prejudica e, quem sabe, até uma criar liga independente da CBF que seria responsável apenas pela seleção. Esse formato seria melhor para todos: clubes, torcedor e, inclusive, para quem compra os diretos de transmissão, pois os jogos seriam melhor tecnicamente e, consequentemente, mais atrativos.

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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