18 Jul 2019 | domtotal.com

Flores para o Pacífico

Duo Jazz Festival e Minas Tênis Clube preparam homenagens ao grande compositor mineiro.

Pacífico Mascarenhas, ex-diretor social e conselheiro do Minas Tênis Clube.
Pacífico Mascarenhas, ex-diretor social e conselheiro do Minas Tênis Clube. (Minas Tênis Clube)

Por Jorge Fernando dos Santos

Pacífico Mascarenhas está com tudo e não está prosa, pois recebe este ano duas merecidas homenagens. De 1º a 4 de agosto, sua obra será o tema do 12º Duo Jazz Festival de Tiradentes. Em meados de setembro, o Minas Tênis inaugura sua estátua na porta do teatro do clube (Rua da Bahia, 2244).

Para aqueles que não sabem, Pacífico Mascarenhas é um dos compositores mais importantes da música mineira. Quando o assunto é Bossa Nova, seu nome consta de vários livros, coletâneas e enciclopédias musicais. Foi citado, por exemplo, no histórico Chega de Saudade, de Ruy Castro.

Pioneiro do ritmo inventado por João Gilberto, ele teve a sorte de conhecer o jovem cantor baiano em 1956, quando ambos passavam férias em Diamantina. Pacífico foi um dos primeiros a ouvir a batida diferente que mudaria tudo. Autodidata em violão, piano e bateria, assimilou com facilidade o ritmo bossanovista e o introduziu em Belo Horizonte.

Em 1958, com Paulinho e seu Conjunto, Pacífico gravou Um Passeio Musical, primeiro LP independente feito no Brasil. Filho do empresário da tecelagem Alexandre Diniz Mascarenhas – pioneiro da Cidade Industrial –, o músico nasceu em 21 de maio de 1935, na Rua Paraíba, coração da Savassi, onde morou até a idade adulta.

A turma da Savassi

Pacífico Mascarenhas foi membro da lendária Turma da Savassi, que agitou BH entre as décadas de 1940 e 1960 e cujas serenatas contavam com as participações de Agnaldo Timóteo, Cauby Peixoto, José Sardinha Guimarães, Luiz Cláudio, Roberto Guimarães e Milton Nascimento.

As primeiras gravações de Milton foram justamente no conjunto Sambacana. Criado por Pacífico em 1964, o grupo também reunia Marcos de Castro, Sérgio Salles, Wagner Tiso e seu irmão Gileno. Ao longo de anos, gravou oito LPs autorais e teve várias formações, contando com Bob & Suzana Tostes, Joyce (Moreno), Os Cariocas, Toninho Horta e outros.

Pacífico tem dezenas de músicas gravadas por Alberto Chimelli, Claudette Soares, Cliff Korman, Eumir Deodato, Izaurinha Garcia, Luiz Carlos Miéle, Luizinho Eça Trio, Nara Leão, Osmar Milito, Roberto Menescal, Tito Madi e Trio Iraquitan, além dos músicos mais expressivos de Minas Gerais.

Sua coletânea Bossa Novíssima, com nada menos que 60 composições de sua autoria, entrou para o Guinness Book como o CD mais longo da história. Pacífico é também conhecido como colecionador de carros antigos e foi diretor social do Minas Tênis por 29 anos.

Por tudo isso, as homenagens representam “as flores em vida” para o compositor que (de quebra) soube cantar BH como poucos. São de sua autoria canções que marcaram época, como Turma da Savassi, Pouca Duração, Ônibus Colegial, Belo Horizonte que eu gosto, Belo Horizonte de Antigamente, Foi no Minas Tênis Clube e Praça da Savassi.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas