05 Ago 2019 | domtotal.com

A incompetência da diretoria do Atlético para precificar os ingressos

Estádio vazio é algo raro na história do Galo, mas a diretoria encabeçada por Sérgio Sette Câmara conseguiu a proeza num clássico contra o Cruzeiro.

Vinicius comemora o primeiro gol do Galo diante de poucos torcedores.
Vinicius comemora o primeiro gol do Galo diante de poucos torcedores. (FÁBIO BARROS / Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

O atleticano está feliz. A vitória sobre o mais tradicional freguês, o Cruzeiro, e a classificação na Copa Sul-Americana dão o tom. Mas um detalhe que passou despercebido para a maioria dos boleiros incomodou muito a massa: o preço dos ingressos no clássico.

O resultado estava visível nas cadeiras do Independência.  Conhecido por arrastar multidões em seus jogos, o Atlético jogou contra o seu maior rival diante de apenas 13.181 pagantes. Pode parecer muito num estádio com capacidade para 23 mil pessoas, mas para os padrões atleticanos é pouco.

O que espantou o público, apesar do bom momento vivido pelo time, foi um contexto totalmente adverso para ir ao Horto. Frio intenso em Belo Horizonte, início de mês – o trabalhador ainda não recebeu o pagamento –, jogo num horário péssimo, às 19h de domingo, e com transmissão ao vivo pela TV aberta para a capital mineira.  

Indiferente a isso tudo, a diretoria atleticana colocou o ingresso mais barato a R$ 40 e o mais caro a R$ 100 para os sócios. Já os não sócios tinham que desembolsar entre R$ 100 e R$ 200. É fazer muita força para tirar o torcedor do estádio, onde deveria ser o seu lugar.

Irada, a torcida se manifestou nas redes sociais tendo como alvo, obviamente, a diretoria e toda a sua insensibilidade e incompetência para precificar os ingressos.

O comentário acima é, digamos, um dos mais educados. Mas a insatisfação é justíssima. O clube como um todo, em especial diretoria e elenco, está em débito com a Massa. A torcida, só para citar um exemplo, não se entregou nem mesmo no vexame para o Cruzeiro pela Copa do Brasil e cantou no Mineirão após o 3 a 0, avisando que daria força ao time na volta no Horto. Os jogadores mudaram a postura, o Galo ganhou, mas não se classificou.  

O jogo no Independência pelo Campeonato Brasileiro era a oportunidade de ouro para retribuir o carinho da torcida dando a ela a oportunidade de ver o clássico cobrando preços acessíveis.  

A diretoria ignorou inclusive índices socioeconômicos importantes como o de desemprego. Hoje o país tem quase 13 milhões de desocupados. Além disso, não levou em conta o recente fracasso da Copa América que teve bilhetes cobrados a preços absurdos e estádios vazios.

Sérgio Sette Câmara errou de novo. Desta vez, ao não valorizar o maior patrimônio do Atlético: sua fanática torcida.

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
+ Artigos
Instituições Conveniadas