22 Ago 2019 | domtotal.com

A polêmica do CO2

O ativismo ecológico movimenta milhões de dólares em todo o mundo.

A tese do aquecimento global antropogênico teria motivação econômica e não científica.
A tese do aquecimento global antropogênico teria motivação econômica e não científica. (AFP)

Por Jorge Fernando dos Santos

Ao contrário do que diz o ex-vice-presidente americano Al Gore, a “verdade inconveniente” não seria a do aquecimento global, mas a constatação de que a emissão de CO2 pela atividade humana não afeta o clima da Terra. As mudanças climáticas são causadas pelas atividades solares e pela temperatura dos oceanos.

A tese, que contraria as previsões catastróficas dos ambientalistas, é abordada no documentário The great global warning swindle (A grande farsa do aquecimento global), dirigido por Martin Durkin e exibido pela BBC de Londres em 8 de março de 2007. Doze anos depois, o programa de 1h15min de duração ainda causa polêmica.

Durkin ouviu renomados cientistas, que denunciam “a mentira do século”. Entre eles, Patrick Moore, cofundador e dissidente do Greenpeace. A exemplo do professor Ian Clarck, da Universidade de Ottawa, ele sustenta que o aumento do aquecimento global não é ciência, mas propaganda.

John Christy, que se demitiu do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC da ONU), concorda com os dois. Paulo Reiter, do Instituto Pasteur, ressalta que “não se pode dizer que o CO2 governa o clima”. Nir Shaviv, da Universidade de Jerusalém, acrescenta que “não há evidência que associe o aquecimento global a gases do efeito estufa”.

O sonho africano

O economista James Shikwati vai mais longe. Segundo ele, “países ricos invocam a ameaça de desastres climáticos para impedir o progresso industrial do mundo em desenvolvimento... Estão interessados em matar o sonho africano, que é desenvolver-se”.

Para produzir energia e superar a miséria, países pobres teriam que usar combustíveis fósseis. Vale lembrar que o presidente russo, Vladimir Putin, já apontou o aquecimento global como arma econômica. Aldo Rebelo, quatro vezes ministro em governos do PT, pensa da mesma forma.

A tese do aquecimento global antropogênico teria motivação econômica e não científica. Até porque, países como a China e os EUA sempre relutaram em assinar protocolos que visam reduzir a emissão de gás carbônico. Enquanto isso, a Alemanha é o país mais poluidor da União Europeia.

Segundo o documentário, a febre ambientalista começou em 1974, quando a própria BBC entrevistou o cientista suíço Bert Bolin, que aventava os riscos do aquecimento global devido ao CO2. Ele tentava explicar uma longa temporada de seca e de tornados no Meio-Oeste americano.

Na mesma época, a Inglaterra enfrentava a crise do petróleo e uma greve nas minas de carvão. Segundo Lord Lawson of Blaby, a primeira-ministra Margareth Thatcher apegou-se à ideia de Bolin para justificar investimentos em energia nuclear. Ironicamente, com o fim da URSS, em 1989, ativistas de esquerda tomaram para si a bandeira ambientalista.

Grande negócio

Roy Spencer, da Nasa, ressalta que “cientistas do clima precisam que exista um problema para conseguir fundos”. “Estamos contado mentiras. É isso o que está se passando”, emenda Nigel Calder, editor da revista New Scientist, que denuncia censura e intimidação contra quem discorda dos aquecimentistas.

Patrick Michaels, da Universidade da Virgínia, diz que “dezenas de milhares de trabalhos dependem agora do aquecimento global”. A mídia, por sua vez, aposta na catástrofe como espetáculo. O ambientalismo movimenta milhões de dólares em todo o mundo – já disse Paschoal Bernadin no livro O império ecológico: ou a subversão da ecologia pelo globalismo.

O programa da BBC dá o que pensar: se o CO2 é o vilão, como explicar as baixas temperaturas na Europa em meados dos anos 1700 e a sua elevação na Idade Média ou em 1940, o ano mais quente do século 20? Para Syun Iche Akasofu, diretor da International Artic Resersch Centre, mudanças climáticas e derretimento do gelo nos polos são fenômenos cíclicos.

O não aquecimento global tem adeptos no Brasil, como o físico e meteorologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas. Ele garante que o clima da Terra é modulado pelo Sol e que estamos às vésperas de uma nova idade glacial devido à redução das atividades solares.

Ricardo Augusto Felício, do Departamento de Geografia da USP, e o jornalista Richard Jakubaszko pensam da mesma forma e atribuem o alarde ambiental a interesses geopolíticos. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, parece concordar. Seja lá como for, os interessados podem assistir ao documentário da BBC abaixo.


Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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