29 Ago 2019 | domtotal.com

'Quem tudo quer nada tem'


Técnicos Rogério Ceni e Rodrigo Santana vivem dilema de poupar ou não
Técnicos Rogério Ceni e Rodrigo Santana vivem dilema de poupar ou não (Montagem Dom Total com fotos de Atlético e Cruzeiro)

Por Rômulo Ávila

Minha saudosa avó (e mãe) Geni sempre dizia que "quem tudo quer nada tem". Cresci com esse aprendizado, que pode ser aplicado no futebol, especificamente na situação atual de Atlético e Cruzeiro.

Os dois rivais dividem as atenções entre competições de mata-mata e o Brasileirão. O Atlético, por exemplo, está a três partidas de conquistar o título inédito da Sul-Americana. Já o Cruzeiro está a três de comemorar o sétimo caneco da Copa do Brasil. No entanto, a condição dos dois no Brasileirão é oposta: enquanto o Galo briga pelo G-4, a Raposa tenta não entrar no temido Z-4.  

É momento de escolhas. O Atlético parece ter priorizado, acertadamente, a Sul-Americana. Inclusive, o técnico Rodrigo Santana foi muito criticado por parte da imprensa e da torcida por ter poupado nove titulares na derrota por 1 a 0 para o Bahia, no Independência. A classificação tranquila diante do La Equidad-COL por 3 a 1 na Sul-Americana e a maratona de jogos prevista para setembro (oito em 30 dias) mostram que a opção do treinador foi a melhor.

Entendo o sonho do atleticano de ver o clube ser campeão brasileiro novamente, mas a chance de isso ocorrer nesta temporada é praticamente impossível (mesmo se o clube tivesse o Brasileirão como única disputa). Ou alguém, em sã consciência, acha que o elenco mediano do Atlético tem condição de brigar de igual por igual com Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Grêmio e até mesmo o Santos em uma competição de pontos corridos? Pelo investimento e nível de contratações, a briga do Atlético no Brasileiro é por G-6 ou, no máximo, G-4.

O caso do Cruzeiro é um pouco diferente e tem relação direta com a péssima campanha do clube no Brasileirão após 16 rodadas.  Em que pese a possibilidade de mais um título da Copa do Brasil, não há, neste momento, como não usar força máxima no Campeonato Brasileiro. Até acho que o Cruzeiro vai se recuperar no Brasileirão, mas não dá para correr o risco de iniciar o returno na zona da degola – ou perto dela.

Além do confronto direto contra o Vasco, neste domingo, no Mineirão, a Raposa tem Grêmio (em casa) e Palmeiras (fora) na sequência do turno. Por isso, na conjuntura atual, o melhor é ir com força máxima nas duas competições. 

Mesmo tendo perdido o primeiro duelo contra o Inter, no Mineirão, vejo a disputa por uma vaga na semifinal da Copa do Brasil aberta. A classificação do Grêmio sobre o Palmeiras, na Libertadores, é um exemplo de que no futebol não existe morte de véspera.

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
Comentários
+ Artigos
Instituições Conveniadas