18 Set 2019 | domtotal.com

O que é valioso desmancha no ar

De qualquer forma, seria interessante saber se o dinheiro e os objetos de valor estão sob custódia, ou foram devolvidos a quem os trouxe.

Teodorin Obang
Teodorin Obang (Divulgação/Facebook)

Por Carlos Brickmann

Há poucos dias, no sábado, fez um ano que a Polícia Federal apreendeu, no aeroporto de Viracopos, SP, 19 malas com dinheiro e objetos de luxo. No total, algo como US$ 20 milhões. Era a bagagem de Teodorin Obang, filho de Teodoro Obang, há mais de 40 anos presidente (e homem mais rico) da Guiné Equatorial. Que é que Teodorin veio fazer no Brasil, tão perto das eleições, com tanto dinheiro e tantos objetos de valor? Nas investigações da Lava Jato, a Guiné Equatorial é sempre citada como parceira preferencial de empreiteiras brasileiras, aquelas que acompanhavam as viagens de Lula à África e ganhavam gordas concorrências, com o financiamento do BNDES.

Os relógios trazidos nas malas de Teodorin eram fantásticos: caixas de ouro ou platina, amplamente guarnecidas de brilhantes, de grandes marcas. Relógios ocupam pouco espaço, valem muito, podem ser transformados em dinheiro com facilidade. A propósito: onde estão as joias e relógios trazidos às vésperas das eleições pelo vice da Guiné Equatorial? E o dinheiro, em dólares e reais? Não se fala mais no assunto? Não ficou claro nem quem iria se beneficiar de objetos tão valiosos! Há quem diga que era a contribuição da Guiné Equatorial a seus candidatos favoritos – mas não há prova alguma disso, devem ser apenas comentários maliciosos. De qualquer forma, seria interessante saber se o dinheiro e os objetos de valor estão sob custódia, ou foram devolvidos a quem os trouxe. Imagine, joias tão lindas sumindo no ar!

Rico, rico, rico

Claro que se pode dizer que o assunto não tem a menor importância, que a imprensa canalha faz tempestade em copo de champagne. Afinal, nada é tão normal quanto um país que está em 144º lugar em Índice de Desenvolvimento enviar seus governantes com malas de joias e dinheiro para uma visita turística a uma nação amiga – onde o turismo deve ser caríssimo.

Vergonha pouca...

Pesquisa da Câmara Federal mostra que 71% dos juízes do país ganham mais que o teto constitucional de R$ 39,2 mil. Recebem auxílio-moradia e auxílio-alimentação, muitas viagens com boas diárias, penduricalhos diversos. E, na última semana, o Conselho Nacional de Justiça permitiu que o auxílio-saúde (10% do salário-base de desembargador) não espere ninguém ficar doente: já pode ser pago em dinheiro, mesmo sem problemas de saúde. O colunista Claudio Humberto (www.diariodopoder.com.br) lembra que, há três anos, o Senado aprovou projeto que limitava os supersalários. Agora o projeto está na Câmara, onde dorme esquecido.

...é bobagem

O deputado federal gaúcho Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, usou dinheiro de sua cota parlamentar para visitar o ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba. Desde que tenha alguma relação com o exercício do mandato, a cota parlamentar pode cobrir viagens nacionais, seja para onde for. A assessoria de Pimenta diz que foi a uma atividade do PT paranaense, em Curitiba. E aproveitou a oportunidade para pedir instruções na cadeia. Por que deixaria Haddad com o monopólio das conversas do cárcere?

Questão de prioridade

O governador João Dória inaugurou novas e amplas instalações para o 8º Distrito Policial do Brás, em São Paulo. Foram investidos R$ 4,6 milhões nas obras – parte, ao que dizem, de R$ 100 milhões oferecidos pela Febraban, Federação Brasileira de Bancos, para reformas de distritos policiais, tudo, é claro, sem interesse algum. O DP reformado ficou bonito, bem mobiliado, mas talvez não seja esta a maior necessidade da Polícia Civil paulista. Nela, falta preencher 24 mil vagas, faltam coletes à prova de bala, há coletes com prazo de validade vencido. E o salário dos policiais civis é o mais baixo do Brasil, embora trabalhem no estado mais rico do país. Delegacias bem montadas e bem equipadas são um excelente cartão de visita. Mas polícia é mais do que isso: exige salários, equipamentos, ciência, quadros completos.

Petróleo sem problemas

O ataque a refinarias sauditas, seja iniciativa iraniana (que disputa com a Arábia Saudita a liderança do Oriente Médio árabe), seja iniciativa dos rebeldes iemenitas contrários ao regime de seu país, apoiado pelos sauditas, está sendo considerado um problema passageiro. Imagina-se que não haverá falta de petróleo, nem alta explosiva de preços. Imagina-se que a situação logo voltará ao normal. Se o que se imagina for otimista demais, há ainda a liberação das reservas estratégicas dos EUA. No Brasil, a Petrobras avalia a situação, mantendo preços. Os juros brasileiros devem cair mais um pouco.

Homenagem bonita

O jornalista Caetano Bedaque foi homenageado no dia 13, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, “pelos excelentes serviços prestados à televisão brasileira”. A homenagem foi comandada pela vereadora Sandra Thadeu e a presidente do Instituto Pro-TV, Thaís Alves. Conheço-o: foi homenagem merecida.

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
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