07 Out 2019 | domtotal.com

VAR de vergonha!


Fred converteu o pênalti que não existiu, mas que foi confirmado pelo árbitro Wagner Nascimento após consulta ao VAR.
Fred converteu o pênalti que não existiu, mas que foi confirmado pelo árbitro Wagner Nascimento após consulta ao VAR. (GUSTAVO RABELO / Photopress/Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

Um Campeonato Brasileiro histórico marcado por recorde de público nos estádios tem chamado atenção também pelo protagonismo do VAR, Video Assistant Referee no inglês, ou simplesmente Árbitro de Vídeo.  É o VAR de vergonha, pelo menos até agora, com o fim desta 23ª rodada.

A falta de critério e excesso de interpretação na maioria dos lances têm prejudicado os times e deixado os torcedores confusos e furiosos.  Três lances de pênalti com erros grotescos no final de semana exemplificam bem isso.  

Cruzeiro e CSA tiveram penalidades, que não existiram, assinaladas a seu favor contra Internacional e Avaí. No Mineirão, o colorado Patrick encosta no cruzeirense Orejuela. Vou repetir: encosta! O colombiano sente o contato e se joga.

A interpretação, digna um Framboesa de Ouro, foi ignorada pelo árbitro Wagner do Nascimento e até por companheiros de Orejuela que não reclamaram. Mas o VAR, comandado por Pathrice Wallace Corrêa Maia, sugere a revisão e Nascimento muda de ideia apontando o pênalti convertido por Fred.

No Rei Pelé uma cena praticamente idêntica culminou no segundo gol do CSA sobre o Avaí. Ricardo Bueno do Azulão sente um toque do avaiano Léo nas costas e mergulha na área. O árbitro Anderson Daronco não dá bola e o jogo segue. Mas na revisão com o VAR, de Wagner Reway, Daronco marca o pênalti que o argentino Jonatan Gómez manda para as redes.

Já no Allianz Parque um pênalti claro foi completamente ignorado, inclusive pelo VAR de Rodrigo Nunes de Sá. O palmeirense Felipe Melo empurra o atleticano Igor Rabello com as duas mãos e se aproveita disso para afastar a bola da grande área. O árbitro de campo Rafael Traci apenas pede calma a Rabello e Melo e manda a vida de todos seguir em frente.

Falta de critério escancarada! Os lances que originaram pênaltis a favor de Cruzeiro e Avaí parecem mais um “carinho” se comparados ao que fez Felipe Melo com Igor Rabello no Palmeiras x Atlético. Mas no Allianz Parque não teve pênalti.

Com a ruindade da arbitragem em voga, teorias da conspiração pipocam nas redes sociais. O Palmeiras prejudicado contra o Internacional foi propositalmente beneficiado diante do Atlético? Não vão deixar o Cruzeiro cair pelo alto investimento do clube? Prejudicado no domingo, o Atlético será “ajudado” na partida seguinte? O CSA, afetado pelo pênalti a favor do Cruzeiro já que briga com a Raposa para não cair, foi compensando com uma penalidade a seu favor que não existiu?

Por mais absurdas que sejam algumas suposições elas ganham força pela falta de transparência da arbitragem brasileira que pirou com o VAR. O negócio é ter uma cartilha, um padrão para apitar as penalidades, os impedimentos, a mão na bola, o cartão vermelho direto, etc. Para todos os árbitros! E que os lances duvidosos sejam esclarecidos para torcida e imprensa rapidamente, sem dar margem para “teorias da conspiração’. Como? Fácil! Bastaria a CBF disponibilizar no seu site os áudios dos lances polêmicos após os jogos.  

Só assim o VAR deixará de ser da vergonha para se tornar realmente útil. Até agora só atrapalhou levantando suspeitas de favorecimento e alterando resultados de muitas partidas.  

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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