09 Out 2019 | domtotal.com

Dezenas de milhões em ação


Por Carlos Brickmann

O presidente da República disse em público que o presidente do PSL, seu partido, “está queimado”. Bolsonaro gosta de uma briga: já afastou de seu governo, nos primeiros dias do mandato, o presidente anterior do PSL, até então seu homem de confiança. Para o PSL, divergências com Bolsonaro são mortais: foi graças a ele que o partido nanico se colocou entre os grandes.

O PFL perde com a briga. Mas que é que Bolsonaro ganha? Ao partido que o acolher, ele levará grande bancada, além de torná-lo forte para as eleições municipais. Mas bancada o PFL já tem e forte já é, sem que Bolsonaro tenha de se esforçar para estruturar outra grande legenda – além de ter demonstrado, até hoje, o máximo possível de obediência e tremenda capacidade de engolir sapos, endossando automaticamente toda e qualquer vontade do presidente, até a de transformar o filho 03 em embaixador.

Parece que o chave está na lei de financiamento público de campanha. Além dos nossos bilhões destinados por ela às campanhas, há a festança parlamentar, que multiplica verbas sem se preocupar com a saúde dos cofres oficiais. Partidos com maior bancada ganham mais; e o dinheiro é utilizado livremente pelos donos dos partidos. Veja só que coisa mais patriótica: Bolsonaro hostiliza os donos de seu partido que têm o controle das verbas. O partido é ele, e quem são esses outros para controlar a dinheirama? Que a verba fique com gente de confiança, por ele escolhida. Mais lógico, não é?

As famílias

Briga brava no PSL paulista: para se contrapor aos três zeros à esquerda – os filhos 01, 02 e 03 de Bolsonaro – a deputada federal Joice Hasselmann, a mais votada da Câmara, e o senador Major Olímpio se aliaram. Joice sai para a prefeitura paulistana com o apoio de Major Olímpio, e ele se candidata a governador com o apoio de Joice. Se Bolsonaro deixar o partido a coisa vai mudar, mas, se ficar no PSL, quem controlar o diretório de São Paulo terá como agir sem constrangimentos mesquinhos. Partilhará, digamos, o poder.

Separados mas juntos

Bolsonaro diz que o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, está queimado. Mas neste fim de semana os dois estarão juntos em São Paulo, para “o maior evento conservador do mundo” – o Conservative Political Action Conference. Talvez não haja no evento políticos conservadores do padrão de Winston Churchill, Margaret Thatcher, Ronald Reagan ou Konrad Adenauer – mas, enfim, serão o que temos. Além de Bolsonaro e Bivar, deverão estar em São Paulo o filho Eduardo, aspirante a embaixador em Washington, os ministros Onyx Lorenzoni, Damares Alves e Abraham Weintraub, e Felipe Martins, assessor especial do presidente. Weintraub, Felipe e Eduardo, o 03, são discípulos de Olavo de Carvalho, que em princípio não deve comparecer.

Petista sortudo

Nas cidades do interior, diriam que o cavalheiro nasceu com o rabo virado pra Lua. Vá ser sortudo assim sabe-se onde! Pois um daqueles petistas que ganharam a mega-sena acumulada há menos de um mês, em 18 de setembro, ganhou de novo – desta vez a quadra, com R$ 579. Pouquinho– mas ele já anunciou que vai ganhar mais vezes. “Jogo há mais de 20 anos”, disse. “Não ganhei por sorte, mas por insistência”. E pretende insistir mais. Quem acredita na persistência deve procurar associar-se a ele. Lembrando, porém, que o grupo que ganhou com ele era também do PT. A estrela lhes deu sorte.

Tardou, não falhou

Que é que o caro leitor fazia em 2003? Não, não é fácil lembrar. Carlos Augusto Moreira Jr. deve lembrar-se bem, sem grande esforço: era o reitor da Universidade Federal do Paraná e foi acusado de irregularidades pelo deputado federal Luís Carlos Hauly. A universidade, por meio de sua escola técnica, oferecia cursos à distância. Até aí, tudo bem. Mas cobrou taxas e mensalidades não autorizadas, não repassou valores e não quis prestar contas ao Tribunal de Contas da União, mesmo depois de dois acórdãos. O tempo passou e agora, 16 anos depois, o Tribunal de Contas da União multou Carlos Augusto Moreira Jr. em R$ 100 mil. Terá a novela chegado ao fim?

A candidata da noite

A empresária Bete Cuscuz, que até há pouco tempo era dona de uma das mais badaladas casas noturnas do Piauí, pensa em sair candidata à Câmara Municipal de Teresina. Há informações de que Bete Cuscuz foi convidada a se filiar ao PMDB, e por gente com força na legenda. Mas, seja por este ou outro partido, a empresária parece decidida a se candidatar.

Poluição externa

Análises do petróleo que contaminou praias brasileiras indicam forte possibilidade de que a Petrobras nada tenha a ver com o vazamento: é óleo ultrapesado (tanto que não flutua sobre o mar, mas abaixo da superfície), de tipo parecido com o da Venezuela. Bolsonaro diz que tem um país estrangeiro em seu radar, mas não quer fazer acusações antes de ter provas.

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
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