29 Nov 2019 | domtotal.com

Entre poupar e comer não há escolha!

Esse é o grande dilema da reforma tributária. Insistem (os neoliberais) em dizer que a carga tributária é alta, mas não falam para quem é alta

Quem recebe um mísero salário mínimo por mês não poupa porque não sobra dinheiro
Quem recebe um mísero salário mínimo por mês não poupa porque não sobra dinheiro (Agência Brasil)

Por Marcel Farah

A desigualdade passa desapercebida pela cabeça de muitas pessoas. Entre essas, as que ocupam o atual governo federal.

O ministro da economia afirmou em entrevista recente  que quem poupa entende o que é responsabilidade e em seguida disse que: “Rico capitaliza recursos, pobre consome tudo.” Logo, para este sujeito, o pobre não tem responsabilidade por não capitalizar (ou poupar, dá no mesmo), diferente do rico.

O que não foi dito é que entre poupar e comer não há escolha. Quem recebe um mísero salário mínimo por mês não poupa porque não sobra dinheiro, tem que comprar comida, pagar ônibus, energia, aluguel etc. Para a incredulidade das “Barbies”, nem se for acrescido o valor de um “Bolsa Família” de R$ 140 ao mínimo, será possível, para os pobres, poupar.

Esse é o grande dilema da reforma tributária. Insistem (os neoliberais) em dizer que a carga tributária é alta, mas não falam para quem é alta. Ora, a maior carga de tributação de nosso sistema recai sobre o consumo, e não sobre a renda ou o patrimônio. Logo, quem usa todo seu rendimento para consumir, como os pobres, paga, proporcionalmente, mais impostos. Ou seja, o problema da tributação também é a desigualdade.

Pois bem. Ao ignorar, propositalmente, a desigualdade social, o neoliberalismo detona qualquer possibilidade de melhoras para as condições de vida da população. Assim foi o governo FHC assim está sendo o governo Bolsonaro.

Como bem disse Antônio Delfim Neto, ex-ministro da Economia (da ditadura!), “ […] a meritocracia é uma fraude. A condição necessária para sua existência – a igualdade de oportunidades – não existe”.

O próprio Delfim conclui, ao questionar quem pode produzir igualdade de oportunidades, só o Estado, pela via das políticas públicas. Ou seja, não é o mercado!

Marcel Farah
Educador Popular
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