29 Nov 2019 | domtotal.com

Time grande cai


Cruzeiro não consegue reagir no Brasileirão e corre sério risco de cair
Cruzeiro não consegue reagir no Brasileirão e corre sério risco de cair (Reprodução Twitter oficial do estádio Mineirão)

Por Rômulo Ávila

Atlético, Botafogo, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Palmeiras e Vasco são prova que time grande cai. E o primeiro erro para isso ocorrer é se achar incaível. São Paulo, Flamengo e Santos nunca caíram, mas já lutaram contra o rebaixamento em várias edições. Tiveram a humildade de reconhecer que só a grandeza não é suficiente para ficar na elite. O Cruzeiro, outro que também nunca disputou a Série B, também já correu risco. Porém, a sensação é que parte da torcida nunca acreditou de fato nessa possibilidade.

O Brasileirão 2019 termina daqui a nove dias. E o Cruzeiro vive, talvez, seu pior momento na história da competição. Emocionalmente, a derrota para o virtual rebaixado CSA no Mineirão já determinou a queda. No entanto, matematicamente o clube celeste, tetracampeão brasileiro, pode chegar a 45 pontos, número suficiente para a Raposa continuar ostentando o feito de nunca ter caído. Caberá a Adilson Batista, que tem histórico recente de rebaixamento, a missão de salvar o clube.

Por falar em treinador, Rogério Ceni garantiu o Fortaleza na Série A com três rodadas para o fim do Brasileiro. A permanência matemática foi confirmada com o triunfo por 2 a 1 sobre o Santos, na noite dessa quinta-feira (28).

Muita gente se lembra (mas não custa reforçar) que Ceni chegou a propor ao Cruzeiro não receber salário até conseguir garantir o clube na elite. Não adiantou. Foi fritado por alguns medalhões do elenco e acabou demitido pelo até então todo poderoso Itair Machado.

Ceni reassumiu o Leão do Pici na 15ª colocação, no fim de setembro. Dois meses depois, o Fortaleza soma 46 pontos, no 10º lugar, com 95% de garantir uma vaga na Copa Sul-Americana e 4,6% de conseguir disputar a Libertadores de 2020. Somente a permanência na Série A seria um feito para o treinador, que tem um elenco sem estrelas, ao contrário do que tinha no Cruzeiro.

O ex-goleiro deixou a Raposa na 17ª posição, a mesma que ocupa agora. No entanto, a situação técnica era outra e ninguém imaginava que o clube celeste, que esteve perto de eliminar o River da Libertadores, chegaria nas últimas rodadas com 74,4% de risco de disputar a Série B.

Independentemente do que ocorrer nos últimos três jogos, os resultados mostram que Rogério Ceni tinha razão ao tentar tirar do time alguns medalhões. Nessa crise toda, o Cruzeiro é o único derrotado.

Ceni seguiu seu caminho de sucesso no Fortaleza, enquanto Thiago Neves e companhia limitada afundam o clube e, com certeza, não estarão em BH para subir o time, caso o rebaixamento se confirme.

Com o paizão Abel demitido, caberá a Adilson Batista a missão de fazer com o Cruzeiro o que não conseguiu com América, Ceará, Atlético-GO e outros tantos que nem me lembro mais. O primeiro passo é afastar alguns medalhões. Deixo um questionamento no ar: Será que ele terá aval para isso?

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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