13 Fev 2020 | domtotal.com

O que Dedé e Adilson nos ensinam

Torcedor tem que gostar do clube, assim como os atletas gostam de dinheiro

Ex-volante Adilson e zagueiro Dedé
Ex-volante Adilson e zagueiro Dedé (Bruno Cantini (Atlético) e Vinnicius Silva (Cruzeiro))

Por Rômulo Ávila

O dicionário Aurélio define gratidão como "reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento; ação de reconhecer ou de prestar reconhecimento a alguém por algo bom; obrigado".

Ser grato é uma virtude praticamente inexistente no milionário mundo do futebol brasileiro. O zagueiro Dedé e o ex-volante Adilson me fazem ter certeza disso.

Dedé passou anos no departamento médico do Cruzeiro se recuperando de graves lesões. Muitos diziam, inclusive, que ele sequer teria condição de voltar aos gramados. Mesmo assim, o Cruzeiro acreditou nele, continuou pagando seu salário e renovou contratos.

Agora, na pior crise da história do Cruzeiro, Dedé é indiferente e demonstra não ter a mínima preocupação com o momento do clube o acolheu. E nem digo isso pela decisão do jogador de não querer disputar a Série B. É direito dele. O que mais me impressiona é maneira como Dedé tem virado as costas para o Cruzeiro, clube que o possibilitou os títulos mais importantes da carreira e o projetou ainda mais no cenário nacional. É ingratidão.

O caso do ex-volante Adilson também é outro exemplo. Surpreendido (assim como o clube) com o diagnóstico de um problema no coração que o obrigou a encerrar a carreira precocemente, o jogador foi mantido no clube como auxiliar, mas acionou a Justiça logo que foi dispensado, no começo deste ano.

Não estou entrando no mérito dos dois casos, até porque somente as partes envolvidas sabem os detalhes. Como diz o ditado, cada um sabe onde seu calo aperta. Mas a imagem que fica é a de querer mais do que realmente tem direito.

E o Fred? Não fiquei surpreso com ação na Justiça do Trabalho, mas acho que faltou gratidão, ainda mais para um cruzeirense. O centroavante cobra R$ 31 milhões do clube.  Sou péssimo em matemática, mas fiz umas contas e conclui que o clube precisaria de mais de 2,5 milhões de novas adesões ao programa sócio reconstrução para bancar a pedida do camisa 9.

Por essas e outras sou contra a idolatria de jogadores. Torcedor tem que gostar do clube, assim como os atletas gostam de dinheiro.

Parafraseando William Shakespeare, a gratidão parece mesmo ser um tesouro somente para os humildes.

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
+ Artigos
Comentários

Instituições Conveniadas