27 Fev 2020 | domtotal.com

Dois pesos, duas medidas

Os aloprados se afundam cada vez mais na insensatez, no ódio e na contradição

Deputadas fazem manifestação contra a postura machista do Presidente da República
Deputadas fazem manifestação contra a postura machista do Presidente da República (Gustavo Bezerra)

Por Jorge Fernando dos Santos

As feministas que se indignam com as grosserias do presidente Jair Bolsonaro têm toda razão. No entanto, não reagiram diante das ofensas dirigidas pelo ator José de Abreu à sua colega, Regina Duarte. Algumas até acharam que foram merecidas, por se tratar de uma “fascista”.

Regina Duarte nunca foi fascista. Se fosse, não teria apoiado a candidatura de José Serra à Presidência da República. Afinal, ele presidiu a UNE e teve uma enorme ficha de subversivo nos arquivos do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI). Aliás, seu partido, o PSDB, é de centro-esquerda e fez uma oposição de fachada ao PT. A exemplo deste, suas lides estão cheias de corruptos.

A oposição sempre protesta quando o presidente, seus filhos ou ministros vomitam besteiras politicamente incorretas. No entanto, fez silêncio quando Lula da Silva usou uma expressão chula em conversa telefônica com a colega Dilma Rousseff, ao se referir ao clitóris das próprias feministas.

E quanto ao discurso no qual ele defende os políticos e ataca quem faz concurso público, visando conquistar estabilidade no emprego? O ministro Paulo Guedes, que generalizou ao dizer que servidores são parasitas, pelo menos reconheceu o erro e se desculpou no dia seguinte.

Quebra de decoro

Quem assistiu ao depoimento do ministro Sérgio Moro em sua recente ida à Câmara dos Deputados testemunhou o despreparo e a falta de classe do deputado Glauber Braga, do PSOL. O jovem arrivista chamou o ex-juiz de “capanga de milícia” e da família Bolsonaro. Contudo, nenhum dos seus correligionários teve o bom-senso de repreendê-lo pela quebra de decoro.

Como tuitou o general Heleno, “a casa dos representantes do povo não deveria ser palco de episódios dessa natureza”. Em outras palavras, os cidadãos merecem respeito, mesmo que tenham votado num candidato da direita para a Presidência. Até porque a culpa da vitória de Bolsonaro é daqueles que atolaram o país na maior crise da História.

Em vez de renovar o discurso e construir uma candidatura que inspire confiança, os aloprados se afundam cada vez mais na insensatez, no ódio e na contradição. Conseguem com isso apenas contrariar a opinião pública e se distanciar cada vez mais dos eleitores.

O povo está farto de narrativas e mimimis. Quem vive no Brasil real, tendo que dar duro para sobreviver e pagar as contas, torce para que o país retorne aos trilhos da prosperidade e da paz social. Se isso ocorrer, a oposição será novamente derrotada em 2022. Por isso ela tenta sabotar o governo a todo custo, sendo incapaz de aprender com os próprios erros.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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