12 Mar 2020 | domtotal.com

Yes, temos bobo da corte

Feito caranguejos no balaio, os políticos não deixam o país sair da crise

Semana passada, ao lado de Carioca, Bolsonaro reforçou a imagem de Bozo
Semana passada, ao lado de Carioca, Bolsonaro reforçou a imagem de Bozo (Marcos Corrêa/PR)

Por Jorge Fernando dos Santos

Só faltou o tradicional nariz vermelho para que o humorista Carioca se tornasse de fato um palhaço, daqueles de pum de talco citados pela atriz Regina Duarte, ao tomar posse como secretária especial de Cultura.

Fantasiado de Bolsonaro e distribuindo bananas no costumeiro encontro do presidente com a imprensa, o famoso imitador fez o papel de bobo da corte. Contudo, o nariz vermelho caberia melhor na cara dos brasileiros, historicamente traídos e desrespeitados por seus representantes.

Bobos somos nós, pobres eleitores, sobretudo no presente momento de crise e de confrontos ideológicos sem solução a curto prazo. Semana passada, ao lado de Carioca, Bolsonaro reforçou a imagem de Bozo e levantou alto a bola da oposição na arena das vaidades políticas.

De qualquer modo, Carioca envergando a faixa presidencial não foi pior do que a claque que aplaude e faz selfs com o presidente, atrapalhando o trabalho dos repórteres. Só faltou mesmo a lona, para consolidar o picadeiro.  

Eleito com quase 58 milhões de votos, o capitão-mor deveria governar para todos, não apenas para bolsominions e olavistas. Com o dólar na estratosfera e o coronavírus batendo na nossa porta, poderia pelo menos cair na real, antes que o barco naufrague.

Factoides, geralmente, causam polêmica e desviam a atenção da imprensa e do público daquilo que realmente interessa. Enquanto o presidente quebra a liturgia do cargo, oposicionistas o chantageiam como podem, visando sabotar o governo de tendência conservadora.

Queda de braço

Nos bastidores da política, o que mais preocupa é a controversa aliança entre a esquerda tupiniquim e o fisiológico Centrão. Este liderado por Rodrigo Maira e Davi Alcolumbre, presidentes da Câmara Federal e do Senado. Usam a estratégia de vetar ou cortar projetos de lei encaminhados pelo governo, na intenção de pressioná-lo.

O resultado disso é que parte das verbas de setores prioritários será desviada para o Fundo Partidário e para a compra de apoio político nas eleições municipais deste ano. Na queda de braço com o Legislativo, o Executivo deu os anéis para não perder os dedos. Agora o Congresso dispõe de quase R$ 20 bilhões do orçamento, sem ter que prestar conta dos gastos.  

Enquanto isso, de volta da peregrinação pela Europa, o condenado Lula da Silva assistiu em Curitiba ao lançamento de Lula e a espiritualidade, coletânea de sua correspondência com religiosos enquanto ficou hospedado na sede da PF. Travestido de anjo bom, o demiurgo sonha ser canonizado.

Por essas e outras, podemos concluir que o Brasil vai de mal a pior. Feito caranguejos no balaio, os políticos não deixam o país sair da crise. Para eles, quanto pior, melhor. As paspalhices e grosserias do presidente Bolsonaro nada acrescentam ao processo. Servem apenas para aumentar a cizânia e distrair a plateia.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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