19 Mar 2020 | domtotal.com

Pandemia é coisa séria

Se o pânico em nada contribui, a ausência de cuidados só ajuda a piorar o quadro

O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, tem sido exemplar no enfrentamento do Covid-19
O ministro da Saúde, Luiz Mandetta, tem sido exemplar no enfrentamento do Covid-19 (Marcello Casal Jr/ Agência Brasil)

Por Jorge Fernando dos Santos

O presidente Jair Bolsonaro foi irresponsável ao cumprimentar manifestantes no DF, no último domingo (15/3). O pior, no entanto, é persistir no erro, fazendo declarações igualmente indefensáveis sobre o avanço do Coronavírus. Vários membros de sua equipe foram infectados, entre eles o general Augusto Heleno.

Como disse sua ex-aliada Janaína Paschoal (PSL), Bolsonaro praticou no domingo “um crime contra a saúde pública”. Capitão reformado do Exército, ele deveria saber que o comandante em chefe é quem dá o tom da batalha. Se estivesse na guerra, diria aos soldados que o campo minado logo à frente é uma miragem? Sua postura nos lembra a “marolinha” do Lula.

Ao contrário dele, o ministro da Saúde, Luiz Mandetta, tem sido exemplar no enfrentamento do Covid-19. Deixa de lado questões políticas e ideológicas para trabalhar em favor dos cidadãos. Isso certamente terá um preço, pois o seu protagonismo tem incomodado o chefe.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, oficializou a prisão compulsória de infectados que descumprirem a quarentena. Paulo Guedes, da Economia, anunciou um pacote de medidas para ajudar empresas e a população. Tudo passa por Bolsonaro, que, por outro lado, insiste no palavrório.

E quanto ao Congresso Nacional? Deputados e senadores estariam dispostos a abrir mão do percentual do orçamento da saúde a ser destinado ao Fundo Partidário? Serão gastos quase R$ 25 bilhões nas próximas eleições, sem prestar conta a ninguém.  

Ocorrências em BH

No domingo, a administração do prefeito Alexandre Kalil divulgou que nenhum caso de contaminação pelo Covid-19 tinha sido registrado em BH. Esse tipo de declaração exige cautela, para não estimular a displicência. Se o pânico em nada contribui, a ausência de cuidados só ajuda a piorar o quadro.

Entre segunda-feira e a manhã de quarta foi noticiado que cinco pessoas contraíram o vírus na cidade – entre elas o vereador Gabriel Azevedo. Na tarde de terça, Kalil adotara medidas de emergência, fechando locais de aglomeração, escolas municipais e a própria prefeitura. Nada foi dito sobre a numerosa população de rua do município.  

Vale perguntar se a vigilância sanitária vai intensificar o trabalho junto a restaurantes, farmácias e supermercados. As máscaras e o álcool-gel recomendados pelas autoridades médicas estão em falta ou sendo vendidas a preços exorbitantes. É preciso tomar medidas a respeito. Pelas ruas, não se veem guardas ou soldados. Não seria o caso de ampliar a segurança?

O governador Romeu Zema não perdeu tempo em decretar emergência em todo o estado. A FIEMG – cujo presidente, Flávio Roscoe, é um dos infectados da comitiva de Bolsonaro na viagem a Washington – recomendou uma série de medidas preventivas à indústria.

 Colégios da rede SESIMINAS suspenderam as aulas. O mesmo foi feito em faculdades, escolas estaduais e particulares. Repartições, empresas e outras instituições estão mudando a rotina de trabalho. Eventos de todo tipo são cancelados em várias cidades. Sem dúvida o prejuízo econômico será enorme, mas o mais importante é salvar vidas.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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