11 Jun 2020 | domtotal.com

O chilique do 'guru'

PGR precisa investigar a fala de Olavo de Carvalho contra Bolsonaro

Mentor do 'gabinete do ódio', Olavo acusou o presidente de prevaricação
Mentor do 'gabinete do ódio', Olavo acusou o presidente de prevaricação (Alan Santos/ PR)

Jorge Fernando dos Santos

O pretenso filósofo Olavo de Carvalho chutou o balde e entornou a água suja. Como todo mundo sabe, ele fez um desabafo numa de suas aulas pela internet, no último sábado, queixando-se da falta de apoio de Bolsonaro e amigos. Mais que isso, chamou o presidente de covarde e disse que pode derrubar o seu governo.

O destempero foi um grito de socorro típico de alguém incapaz de reconhecer os próprios erros e pedir auxílio com humildade. Mentor do “gabinete do ódio”, Olavo chantageou Bolsonaro ao acusá-lo de prevaricação. A Procuradoria Geral da República (PGR) precisa investigar que armas ele teria contra o presidente, que sequer reagiu aos insultos.

Com a linguagem chula que lhe é peculiar, o ex-astrólogo mandou Bolsonaro enfiar a Medalha do Rio Branco naquele lugar, xingou os generais e chamou o empresário Luciano Hang de Zé Carioca. No caso, um elogio, pois o “véio da Havan” está mais para papagaio de pirata. Tanto que se apressou em fazer uma vaquinha para comprar o silêncio do desbocado.

O chilique do “guru” da Virginia foi motivado por aperto financeiro. Ele perdeu uma causa na Justiça para Caetano Veloso, a quem terá que pagar a quantia de R$ 2,8 milhões. Isso porque descumpriu a decisão judicial que ordenou que retirasse das redes sociais as mensagens em que chama o cantor de pedófilo – por ter namorado Paula Lavigne quando ela tinha 13 anos. Também acaba de perder uma ação movida contra a revista Piauí.

O imbecil coletivo

Bom articulista em priscas eras, o ex-comunista Olavo de Carvalho chegou a ser lido pelo próprio Caetano. Em meados dos anos 80, ao criticar o vitimismo social no programa Roda Vida, da TV Cultura, o artista baiano fez referência à sua coletânea de artigos O imbecil coletivo. Vale dizer que não se trata de uma autobiografia.

O escritor, que vive de direitos autorais e aulas a distância, merece crédito por sua trajetória antimarxista. Conheceu de perto a esquerda e denunciou sua estratégia na luta pelo poder. Criticou o aparelhamento das instituições e apontou a hipocrisia do politicamente correto, a decadência moral e intelectual, bem como a ideologização do ensino no país. Tornou-se, dessa forma, o inimigo número 1 da New Left.

Com o passar dos anos, Olavo ficou amargo, delirante e ressentido. Por paranoia ou megalomania, transformou sua casa, nos Estados Unidos, num bunker contra qualquer pensamento de esquerda ou mesmo liberal. Cardeal da extrema direita tupiniquim, usa suas aulas para doutrinar e disseminar o ódio contra todos que discordam de suas ideias.

 O egocêntrico Olavo de Carvalho é hoje um mestre na injúria contra adversários, ex-amigos e aliados. Preferencialmente, pessoas de relevância midiática – talvez por inveja ou para chamar a atenção sobre si. De certa forma, está colhendo o que plantou. Quem tem amigo assim, convenhamos, não precisa de inimigos. Bolsonaro que o diga, muito embora os dois parlapatões se mereçam.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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