19 Jun 2020 | domtotal.com

Distopias, utopias e charges, são reais?


Charge associa Bolsonaro ao nazismo
Charge associa Bolsonaro ao nazismo (Renato Aroeira)

Marcel Farah

A ideia de utopia é o que alimenta a esperança. A trabalhadora que espera trilhar uma carreira brilhante, o estudante que quer entrar na universidade, a cooperativa que luta por sua sustentabilidade, a sociedade sem pessoas pobres e sem pessoas ricas.

Um lugar de plena felicidade e harmonia, em um tempo diferente do nosso, por isso um não lugar. A esperança de um povo tem como pano de fundo uma utopia, um sistema socioeconômico e cultural melhor.

Eduardo Galeano, respondendo à indagação, para que serve a utopia, bem disse: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho 10 passos e o horizonte corre 10 passos.”

Galeano propõe uma conexão entre o ideal e o real, mostrando que não são coisas separadas. Assim, sugere que a ação humana é responsável pela transformação da realidade, que não somos seres determinado pelo meio apenas, podemos mudá-lo. Também nos mostra como é preciso um ideal para mudar, um lugar em que desejamos chegar (e a importância do desejo). Não um lugar estático, pronto e preparado, mas um não lugar que se move a medida que nos movemos, a medida que o construímos.

Um projeto de sociedade assim é um projeto vivo, que se reinventa. Esta é a beleza da utopia e sua força de criação de esperança. Sua força está na mensagem de que podemos ser mais do que somos.

Pois bem, este não lugar tem uma antítese, a distopia, cujo melhor exemplo histórico é o filme Mad-Max. Superado apenas pela mistura de, governo Bolsonaro mais pandemia de Covid-19!

A distopia também é um não lugar, um ideal negativo, uma caricatura do sofrimento, da desumanidade, da opressão, da desigualdade e da miséria. Mesmo sendo um não lugar, assim como a utopia, não é algo irreal, ou não verdadeiro. E também tem uma conexão com nossa realidade. A distopia funciona como um alerta. É como se dissesse "cuidado, podemos acabar chegando lá".

Nesta semana, ninguém expressou melhor este alerta do que o Aroeira. Sua charge sugere, alerta, interpreta, mas não inventa nada fora da realidade. Mais uma vez a cultura, a arte, mostrando sua potência, sua importância para a transformação da realidade, no sentido da utopia, e não da distopia.

Marcel Farah
Educador Popular
+ Artigos
Comentários