25 Jun 2020 | domtotal.com

Entre frases e provérbios

'Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos sofre aflição'

A prisão de Fabrício Queiroz era tudo o que a 'famiglia' Bolsonaro menos queria
A prisão de Fabrício Queiroz era tudo o que a 'famiglia' Bolsonaro menos queria (Polícia Civil)

Jorge Fernando dos Santos

Desde o seu primeiro pronunciamento após vencer a eleição presidencial, em 2018, Jair Bolsonaro tem repetido a famosa frase do apóstolo João: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. No entanto, ele certamente ignora o provérbio “diga-me com quem tu andas que direi quem tu és”.

Investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro parecem confirmar que ele e os filhos, particularmente o 01, senador Flávio Bolsonaro, andaram em más companhias. A começar pelo vizinho de condomínio, o miliciano e ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, suspeito de ter assassinado a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

A prisão de Fabrício Queiroz, elo com o Escritório do Crime, era tudo o que a famiglia Bolsonaro menos queria. Afinal, um simples bocejar do ex-militar e assessor de Flávio – quando este era deputado estadual – pode representar o último prego no caixão político do clã. Peculato e formação de organização criminosa são as principais suspeitas.

Outro caroço nesse angu é o fato de Queiroz ter sido preso no sítio do advogado do presidente, Frederick Wassef, em Atibaia (a mesma Atibaia do sítio de Lula). Se for solto antes de falar, ele certamente correrá o risco de acabar como o próprio Adriano da Nóbrega – morto numa emboscada no interior da Bahia, em fevereiro deste ano. Adriano, aliás, chegou a ser condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes, em 2005.

Curioso é que o paradeiro de Queiroz foi descoberto por Heloísa de Carvalho, filha renegada de Olavo de Carvalho, o “guru” e consiliere dos Bolsonaro. Ela chegou a fotografar a casa de Wassef. O advogado – pasmem! – já tinha sido investigado em 1992 sob suspeita de envolvimento com seita satanista, no Paraná, mas nada ficou provado contra ele.

A faca e o queijo

Bolsonaro na certa ignora o provérbio segundo o qual “quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos sofre aflição”. Indiferente às mais de 50 mil mortes ocorridas no país em decorrência da “gripezinha” do Coronavírus, ele anda mais cabreiro do que nunca. Amigo e vizinho de tolos e bandidos, é quase certo que esteja sofrendo de insônia.

Eleito presidente com quase 58 milhões de votos, o Pinochavez do Planalto teve a faca e o queijo na mão, mas corre o risco de cortar o próprio pescoço. E lâmina de capitão, convenhamos, deve ser mais afiada que a de Adélio Bispo, o “maluquinho” que tentou assassiná-lo em Juiz de Fora. O caso, aliás, nunca foi devidamente esclarecido.

Fato é que o parlapatão parece não saber que “peixe morre pela boca”. Em vez de governar para todos e tentar pacificar o país, preferiu adotar a tática lulista do “nós e eles”. Ao desafiar as instituições democráticas, o falso messias semeia o caos e mostra desconhecer o ensinamento de Jesus ao apóstolo Pedro: “Aquele que com ferro fere, com ferro será ferido”.

Assim como Lula, Bolsonaro posa de vítima e finge inocência diante dos fatos. A exemplo do seu paradigma, esqueceu-se da máxima segundo à qual “quem semeia vento, colhe tempestade”. Outro ponto em comum entre eles é que seus adoradores vivem com a cabeça enfiada na areia, recusando-se a reconhecer a verdade dos fatos.

 A principal diferença entre ambos parece óbvia: enquanto o líder petista escolheu a cumplicidade de vigaristas do colarinho branco para se enriquecer ilicitamente, o “mito” da direita preferiu a companhia de milicianos do colarinho respingado de sangue. Pelo visto, nenhum dos dois sabia que “a justiça tarda, mas não falha”; que “aqui se faz, aqui se paga”; e que “o crime não compensa”.


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Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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