26 Jun 2020 | domtotal.com

1º julho, greve virtual, exploração real

Serviços de delivery ganham força durante a quarentena, mas trabalhadores não são recompensados por isso

Motoboy em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, no Largo da Batata, em São Paulo
Motoboy em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, no Largo da Batata, em São Paulo (Marília Castelli / Unsplash)

Por Marcel Farah

Está marcada para 1º de julho a paralisação da categoria dos entregadores por aplicativo.

Os serviços de entrega domiciliar, conhecidos como delivery, ganharam muita força com a pandemia. Nesse período, consumidores potenciais de comida e outros serviços realizados pelos antigos motoboys, bombaram os aplicativos, como Uber Eats, Ifood, Rappi e por aí vai.

Contudo, o que parece uma revolução na entrega e nas facilidades promovidas pela tecnologia da informação e da comunicação, é, para os trabalhadores do ramo, também uma forma de aperfeiçoar a exploração de seus serviços.

As empresas que trabalham com entregas por aplicativos conseguiram convencer a Justiça do Trabalho de que o serviço desenvolvido pelos seus entregadores e entregadoras não cabe na categoria emprego, portanto, não é regulado pela CLT.

O resultado prático disso é que esses trabalhadores não têm os direitos trabalhistas, como férias, FGTS, 13º, INSS, seguro-desemprego, seguro acidente, e, em período de pandemia, equipamentos de proteção individual (máscaras e luvas), garantidos. Inclusive, isso explica porque são mais baratos que os tradicionais serviços de entrega - é porque os trabalhadores e trabalhadoras pagam parte maior da conta das entregas.

Gregório Duvivier foi didático em seu GregNews sobre Delivery ao explicar a manobra que as empresas fazem para se safar dos deveres trabalhistas. Segundo a narrativa de marketing, quando é pra propaganda elas realizam entregas a milhares de pessoas, mas nos seus termos de serviços, quem realiza as entregas são os entregadores, empreendedores que são, e as empresas se resumem a ser uma plataforma que conecta clientes e entregadores. Genial! Sqn! [só que não]

Assim, as empresas não tem empregados, pois os entregadores atuam por conta própria. A empresa retém uma parte do dinheiro da entrega, digamos, somente para manter sua plataforma. Mas os donos ficam milionários. Quanto aos trabalhadores, segundo pesquisa da Unicamp, 34% trabalham até 9 horas para receber um salário-mínimo, 26% recebem acima de 2 mínimos, e 68% dos entregadores tiveram queda de ganhos durante a pandemia.

Por essas e outras, temos que nos solidarizar à situação destes trabalhadores que desenvolvem papel tão importante neste período de pandemia e apoiar totalmente suas reivindicações de greve, para que melhorem as condições de trabalho, para que sejam reconhecidos como empregados e tenham seus direitos trabalhistas garantidos.

Todo apoio à greve no 1º de julho, afinal, as empresas são virtuais, mas a exploração do trabalho é real.

Marcel Farah
Educador Popular
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