03 Jul 2020 | domtotal.com

O que vem depois dos 30% de apoio?

A chamada 'direita limpinha' der domar, dar um banho de civilidade em Bolsonaro

O governo dá mostras de que busca um acordo com os fisiologistas de sempre
O governo dá mostras de que busca um acordo com os fisiologistas de sempre (Marcos Corrêa/PR)

Por Marcel Farah

Dizem que um presidente só cai quando seu piso de apoio sucumbe abaixo dos 30%. Por isso, recentemente, a elite inconformada com a "falta de modos" de Bolsonaro disse representar 70% da população.

Já foi dito por Maria Cristina Fernandes que o apoio a Bolsonaro só pode ser explicado se consideramos os 600 reais do auxílio emergencial. Tem sentido. Mostra uma coisa bem nítida, o apoio ao programa econômico neoliberal, e portanto elitista, hoje, não é só das elites.

Bolsonaro tem apoio popular, por mais trágico que isso possa ser, por mais que mostre que nosso povo tem uma parcela de segmentos extremamente conservadores, que não se preocupa com as atrocidades que diz e faz o governo neofascista.

Contudo, apesar disso, o governo dá mostras de que busca um acordo com os fisiologistas de sempre. Aqueles mesmos para quem a Dilma não passou o pano, à época liderados por Eduardo Cunha, hoje por Roberto Jefferson.

Ou seja, mesmo que a base de apoio do Bolsonaro tenha se deslocado para setores mais populares, trata-se de um apoio instável, sustentado pelo auxílio emergencial que está prestes a acabar, ou ser reduzido pelas imposições econômicas do próprio governo.

Esse movimento pode acarretar perda de popularidade, e, então, a rede de proteção do centrão estará a disposição para salvar o presidente de sua queda livre, já que tem sido abandonado pela Globo, e banqueiros incomodados com suas grosserias.

Outra saída, para o ex-paraquedista, é oferecida justamente por esta elite envergonhada, pelo movimento "direitos já". Uma porção de gente, hegemonizada por golpistas, neoliberais, que "defendem a democracia" mas nada fala sobre impeachment do capitão. Ignora que este tenha cometido crimes, assim como ignorara que Dilma não os cometera.

Trata-se de um movimento de higienização, de direita. A chamada "direita limpinha" querendo domar, dar um banho de civilidade em Bolsonaro.

Enquanto isso, a saída por baixo, é esperada – aquela espera que não pode ser passiva – por setores como os entregadores por aplicativos, que se colocaram em marcha esta semana, mostrando que a só se conquista direitos com luta, e não com mitos ou frentes amplas limpinhas.

Marcel Farah
Educador Popular
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