30 Jul 2020 | domtotal.com

No gogó da ema

Bolsonaro insiste em dar mau-exemplo e criar polêmicas desnecessárias

O presidente mostrando cloroquina a uma ema foi uma cena patética
O presidente mostrando cloroquina a uma ema foi uma cena patética (Evaristo Sá/AFP)

Jorge Fernando dos Santos

A cena de Bolsonaro mostrando cloroquina a uma das emas do Palácio da Alvorada foi tão patética quanto aquela do sanfoneiro oficial desentoando o clássico Riacho do navio, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Talvez o músico devesse dizer a ele que "a ema quando canta vem trazendo no seu canto um bocado de azar".

Nunca antes na história tivemos um presidente tão tosco e irresponsável. Tosco devido à incapacidade de pacificar o país e governar para todos; irresponsável por causa da atitude negacionista diante da maior pandemia dos últimos 100 anos. Sem dúvida, um caso a ser julgado pelo Tribunal Internacional de Haia, como querem alguns.

Em pleno caos sanitário (com a morte de mais de 90 mil brasileiros por Covid-19), Bolsonaro insiste em dar mau-exemplo e criar polêmicas desnecessárias – não bastasse fazer propaganda enganosa de um medicamento desaconselhado pela OMS e por cientistas de vários países.

Outro absurdo foi a afirmação do ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, de que o governo federal não é obrigado a fornecer respiradores e máscaras às vítimas do Coronavírus. Isso depois de admitir que foram gastos apenas 30% da verba reservada a esse fim. No entanto, o governo custeou a fabricação de milhões de comprimidos de cloroquina pelo Exército.

Injúrias e fake news

Enquanto o STF combate as fake news e retira da internet contas vinculadas ao Gabinete do Ódio comandado por Carlos Bolsonaro, apoiadores do "mito" divulgam pesquisa enganosa, dando como certa sua reeleição em 2022. Definitivamente, essa gente se acha acima da lei, sendo capaz de tudo para defender o governo genocida.

Quando não divulgam notícias falsas visando confundir a opinião pública e desmoralizar adversários, bolsonaristas fanáticos atacam as instituições democráticas com extrema virulência. Foi o que fez recentemente o ex-deputado Roberto Jefferson, emissário do governo junto aos políticos do Centrão.

Numa entrevista a um canal no YouTube, o ex-aliado de Fernando Collor e condenado por participar do Mensalão do PT caluniou os ministros do Supremo, usando palavreado chulo e insinuações homofóbicas impublicáveis. Embora alguns deles mereçam críticas severas, há que se respeitar a Corte Suprema como a instituição máxima do poder judiciário.

Outro ataque dos radicais teve como alvo Sérgio Moro, levianamente acusado de estar "envolvido até o pescoço em falcatrua". O texto seguiu a mesma linha do site Intercept Brasil, insinuando que o ex-ministro da Justiça teria ligações com a CIA e o FBI. Isso mostra, mais uma vez, que bolsonaristas e petistas usam as mesmas táticas quando o objetivo é assassinar reputações.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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