11 Set 2020 | domtotal.com

O Sete de Setembro, a desigualdade e a esperança viva

O discurso do Lula foi marcado por uma apurada análise do momento que vivemos do ponto de vista de quem trabalha

O discurso do Lula foi marcado por uma apurada análise do momento que vivemos do ponto de vista de quem trabalha
O discurso do Lula foi marcado por uma apurada análise do momento que vivemos do ponto de vista de quem trabalha (Reprodução/Youtube Lula)

Marcel Farah

Dia da Independência brasileira do Reino de Portugal, porém da dependência consecutiva aos reinos britânicos depois estadunidenses. Assim definimos o Sete de Setembro para nossos filhos quando perguntam.

O essencial é, não se iludam, ainda somos dependentes, mas havemos de ter esperanças vivas.

Sabemos que vivemos em um mundo desigual, em que todos produzem, mas apenas alguns se apropriam do que é produzido.

Essa essência do capitalismo, como modo de produção e também de exploração, foi o tom por trás da fala do ex-presidente Lula em seu discurso por ocasião do Sete de Setembro. Essência que podemos chamar de desigualdade.

Li por aí que Lula falou como candidato, que a campanha de 2022 está lançada, que falou como estadista etc.

Contudo, o que mais me marcou foi que falou em defesa de um projeto político.

O discurso do Lula foi marcado por uma apurada análise do momento que vivemos do ponto de vista de quem trabalha, de quem vive de seu trabalho, da classe trabalhadora, que se opõe aos acordos por cima, dos quais o povo não participa. Como diria o Jucá, dos acordos nacionais com o Supremo e tudo. Ou, mais recentemente, do movimento, somos 70%, que juntou desde Flávio Dino do PCdoB a FHC e outros golpistas.

Lula deixou claro os motivos do golpe contra Dilma em 2016 e das armações jurídicas que levaram à sua prisão e interdição em 2018. Tudo política, por motivos políticos. A elite não suporta a reação de um projeto popular, no sentido da construção de uma nação efetivamente soberana e finalmente independente.

Os governos petistas estiveram longe da perfeição, cometeram muitos erros, aliaram-se com gente duvidosa e toleraram alguns jogos perigosos. Mas, tanto fizeram pela transformação da realidade brasileira, que incomodaram os de cima a ponto de serem golpeados.

A desigualdade, como eu disse, foi o tom do discurso.

É inviável continuarmos vivendo em uma nação em que nos primeiros quatro meses de pandemia, "40 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em R$ 170 bilhões".

Em que R$ 300 bilhões serão sacados de nossas reservas internacionais para pagar dívidas com bancos.

Em que "a massa salarial dos empregados caiu 15% em um ano".

Em que o governo atual se preocupa mais em viabilizar a compra de armas do que de comida.

Em que "10% da população vive à custa de 90% do povo".

Por tudo isso, a importância do discurso de Lula é dar pluralidade ao debate público, expondo um ponto de vista que a mídia monopolizada se esforça em esconder.

Um ponto de vista que não aparece no Jornal Nacional.

Uma perspectiva que, mesmo que os conservadores do governo de hoje também critiquem a mídia, da boca deles não sai.

Uma perspectiva de crítica socialista ao sistema capitalista e à dependência do nosso país.

 Logo, uma fala importantíssima, de uma pessoa que "virou uma ideia", que representa uma esperança viva.

Marcel Farah
Educador Popular
+ Artigos
Comentários