20 Nov 2020 | domtotal.com

Quem ganhou e quem perdeu nestas eleições?

Parece-nos que o 'novo normal' pós primeira eleição com pandemia, é igual, ou muito assemelhado, ao 'velho normal'

O que mudou com os resultados, até agora, pode-se dizer que é pouco
O que mudou com os resultados, até agora, pode-se dizer que é pouco (Marcelo Camargo/ABr)

Marcel Farah

Os resultados das eleições até agora, sem contar os segundos turnos que ocorrerão ainda em 57 cidades, sendo 18 capitais, revelam o "novo normal" pós eleições municipais. O que mudou com os resultados, até agora, pode-se dizer que é pouco.

Temos uma primeira eleição municipal com o bloco político bolsonarista, já que este surge a partir de 2018. Contudo, o desempenho deste bloco foi mediano, apesar do aumento do número de votantes em partidos que o compõe, é difícil afirmar que o presidente saiu vitorioso. De um lado, porque o próprio Bolsonaro não definiu uma tática nítida para as eleições, afirmando que não participaria diretamente da disputa de forma nacional. Ademais, há muita diferença entre os candidatos eleitos pelos partidos que compõe a base governista, como o caso do DC, partido da base que elegeu Gilvan Masferr, vereadora trans, em Uberlândia, segundo maior colégio de Minas Gerais.

De outro lado, os candidatos diretamente apoiados por Bolsonaro não tiveram sucesso expressivo, com poucas candidaturas efetivamente eleitas. Quanto àqueles(as) que utilizaram o sobrenome do presidente apenas seu filho, Carlos, foi eleito.

Quanto aos partidos de esquerda, que, para alguns, obteriam expressivas votações frente aos dois anos "ruins" do governo Bolsonaro, nada se confirmou. Juntos, PT, PCdoB e Psol, praticamente estagnaram frente à quantidade de votos obtidos em 2016. Foram de 10.883.557 de votos para 10.433.119, com pequena variação positiva para o PT e PSOL e negativa para o PCdoB. Portanto, nem mesmo a especulação de que o Psol ameaçaria o protagonismo do PT na esquerda não se confirmou, apesar desse partido estar no segundo turno, com Boulos, na principal capital do país.

Houve decréscimo no número de prefeituras eleitas pela esquerda, e mais significativamente pelo PT, que passou das atuais 276 para 175. Contudo, há possibilidades, em caso de vitórias no segundo turno, que o partido disputa em 15 cidades, de alteração desse quadro.

O que se pode confirmar com as eleições, é que a direita tradicional elegeu, como de costume, a maior parte das administrações municipais e o maior número de vereadores. MDB, PSDB, DEM, PSD, PP e outros do mesmo espectro, continuam na liderança de prefeituras e "vereaturas", sendo que o movimento mais sentido foi o encolhimento de MDB e PSDB, e o crescimento do PSD, DEM e PP.

Ou seja, parece-nos que o "novo normal" pós primeira eleição com pandemia, é igual, ou muito assemelhado, ao "velho normal". Confirmando seu poder sobre a burocracia estatal temos a direita neoliberal e o centrão. Os velhos golpistas e atuais apoiadores, menos radicais, de Bolsonaro, dominam o cenário.

Os motivos desses resultados deixemos para as próximas colunas.

Marcel Farah
Educador Popular
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