25 Dez 2020 | domtotal.com

Um Natal Revolucionário!

Não consigo ver o Natal senão como Dom Helder: Feliz subversão!

Não consigo ver o Natal senão como Dom Helder: Feliz subversão!
Não consigo ver o Natal senão como Dom Helder: Feliz subversão! (AFP)

Marcel Farah

Sou de uma família católica, contudo, vamos dizer, não praticante. Fui batizado, mas não cheguei a fazer a primeira comunhão. Apesar de não frequentar a missa, muita gente da família o faz.

Afastei-me bastante da Igreja Católica durante a adolescência e juventude. Eu a via ainda como um grande símbolo de opressão e controle, aprisionadora das classes populares como em uma continuidade histórica do que fora a Inquisição na Europa medieval.

Foi junto com companheiras e companheiros de luta que conheci outro lado do catolicismo: a teologia da libertação, dom Helder Câmara, Frei Betto, Leonardo Boff, dom Tomas Balduíno, dom Pedro Casaldáliga e tantas outras personalidades. Companheiros de caminhada como Pedro Wilson, Selvino Heck, Fábio Fazion, Willian Bonfim, e as companheiras Ângela Cristina, Arilene Martins, irmã Glória, irmã Cléofa me mostraram como a luta acontece dentro da Igreja, pela afirmação de um catolicismo libertador, que atue ao lado dos pobres.

Selvino me fez acompanhar todo processo de escolha do último papa. Comemoramos quando soubemos da escolha de Jorge Bergoglio, e que dom Cláudio Hummes estava ao seu lado quando de sua primeira aparição como papa Franscisco – esse nome também é carregado de simbolismo na luta por uma Igreja para os pobres e pelos pobres, também foi, por nós, comemorado.

Foi na luta e na militância política que também conheci outras religiões. Aproximei-me da Umbanda, do Candomblé, dos terreiros do povo preto e até de um certo Hinduísmo crítico aos dalits.

Assim, volto-me àqueles e àquelas que sempre souberam e estiveram a frequentar Igrejas e outros espaços religiosos, exercitando sua fé, que para mim significa a esperança de tempos melhores. Por isso, não consigo ver o Natal senão como dom Helder:

"Gosto de pensar o Natal como um ato de subversão…
– Um menino pobre;
– Uma mãe 'solteira';
– Um pai 'adotivo';
– Quem assiste seu nascimento é a ralé da sociedade (pastores);
– É presenteado por gente 'de outras religiões' (magos, astrólogos);
– A 'família' tem que fugir e viram refugiados políticos;
– Depois volta e vai viver na periferia.
O resto, a gente celebra na Páscoa… mas com a mesma subversão…
Sim! A revolução virá dos pobres! Só deles pode vir a salvação!
Feliz Natal!
Feliz subversão!"

Dom Helder Câmara, que assim seja um natal revolucionário.

Marcel Farah
Educador Popular
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