07 Jan 2021 | domtotal.com

O caos nosso de cada dia

Na batalha de narrativas, cada um abraça a que melhor lhe convém

O Brasil continua dividido entre os que amam e os que odeiam Jair Bolsonaro
O Brasil continua dividido entre os que amam e os que odeiam Jair Bolsonaro (Carolina Antunes/PR)

Jorge Fernando dos Santos

Como diz o ditado, notícia boa não vende. Em plena pandemia de Covid-19, persiste o desejo do caos. O jornalismo, em muitos casos, perdeu a neutralidade e se transformou em ativismo e militância. O que se vê são narrativas e especulações muitas vezes fora de contexto. Entre a fake news e a realidade, o cidadão comum se sente perdido. Afinal de contas, em quem devemos confiar?

Eis aí a razão de tanta hostilidade e pessimismo. A exemplo de Lula, o presidente Bolsonaro permanece no palanque, dois anos depois de ser eleito. Em vez de governar para todos, prefere agradar aos adeptos. Seu comportamento diante da pandemia já superou todos os limites da irresponsabilidade e do mau exemplo. A oposição, por sua vez, pouca coisa acrescenta. Ninguém parece disposto a segurar o touro pelos chifres. Armazena-se munição para 2022.

Bolsonaro nada com banhistas no dia 1º e causa aglomeraçãoBolsonaro nada com banhistas no dia 1º e causa aglomeraçãoA polêmica em torno da vacina é outro absurdo. Entre negacionistas e oportunistas, muita gente se sente confusa. No entanto, apesar do desastre federal no combate à doença, é improvável que não se vacine a população. A contrário do que alardeiam Bolsonaro e sua claque, a obrigatoriedade será a mesma das demais vacinas – pelo bem geral da nação. Contudo, por mais eficiente que seja a campanha, levará algum tempo até que a maioria esteja imunizada.

Batalha de narrativas

A economia, já esfrangalhada pelos governos petistas, sofre com os efeitos colaterais da Covid-19 e das sandices do atual governo. Andamos dez anos para trás, com o pior PIB da década. Apesar disso, registram-se resultados positivos em alguns setores. Depois de subir a quase seis reais, o dólar voltou a girar em torno dos cinco no final de dezembro. Nesse período, as ações da Petrobras tiveram uma pequena alta.

O mercado imobiliário vem recobrando o fôlego. As corretoras registram crescimento nos negócios e a indústria da construção civil nunca parou. Bons resultados também têm sido observados nas indústrias automobilística e de informática. Quanto à disparada no preço dos alimentos, a explicação é simples: quando a procura é maior que a oferta, os preços tendem a subir.

Contudo, no afã de combater o governo federal, a mídia, com raras exceções, reforça a babel das redes sociais, alardeando apenas as más notícias. O espaço para as boas novas tem sido cada vez menor, prevalecendo o tom apocalíptico nas manchetes e o pandemônio generalizado. Mas existe o Brasil que resiste em silêncio, apesar das trapalhadas dos três poderes da República.

Na batalha de narrativas, cada um abraça a que melhor lhe convém. Isso talvez explique o resultado das avaliações do governo Bolsonaro. Pesquisa do Ibope divulgada em 16/12 apontou um índice de aprovação de 35%, contra 33% de reprovação. Outros 30% das duas mil pessoas ouvidas em 126 municípios consideram o governo regular. O índice de indecisos é de apenas 2%.

Esses números confirmam o óbvio. Em plena pandemia, a população segue polarizada. O Brasil continua dividido entre os que amam e os que odeiam Jair Bolsonaro e tudo o que ele representa. Que em 2021 prevaleça o bom-senso. Pelo bem geral do país, é preciso mais ação e menos discurso por parte da mídia e dos políticos de plantão.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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