12 Fev 2021 | domtotal.com

Nunca estivemos tão próximos do impeachment!

As esquerdas devem apostar todas as fichas na mobilização social

Presidentes e líderes de partidos (PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e REDE) apresentaram, em conjunto, um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro no dia 27 de janeiro
Presidentes e líderes de partidos (PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e REDE) apresentaram, em conjunto, um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro no dia 27 de janeiro (Lula Marques)

Marcel Farah

Entre outras, a eleição para o Congresso Nacional trouxe à tona a falta de noção da importância das mobilizações sociais para as esquerdas partidárias.

O resultado da eleição, com a derrota da direita "civilizada" apoiada pela esquerda, deixou no ar um sentimento de que o impeachment de Bolsonaro teria sido enterrado.

Ao apoiar um candidato golpista sob o argumento de que "deveríamos concorrer para vencer e não apenas para marcar posição", e depois disso perder de lavada, praticamente com os votos que conseguiriam saindo com um candidato próprio, gerou essa sensação.

O argumento acima menospreza a importância de "marcar posição". Lançar um candidato para dizer o que defende, é mais do que marcar posição, pois fortaleceria as mobilizações nas ruas. A esquerda menosprezou os símbolos como armas de luta política.

Pensemos, se a esquerda lançasse candidato e perdesse, isso não alteraria em nada a crescente mobilização pelo impedimento. Agora, apoiando a candidatura do Baleia Rossi e perdendo, frustraram a expectativa e influenciaram negativamente nas mobilizações para o impeachment.

Por isso, a derrota do "bloco do Maia" não nos afastou do impeachment, pois o governo continua em cheque por questões da realidade batendo à porta.

A eleição de Baleia Rossi não representaria aumento das chances de impeachment. Conforme declarações dele mesmo, não estava entre suas prioridades analisar um dos mais de 50 pedidos de impedimento protocolados na Câmara.

Ainda é necessário ter em mente que só a mobilização de rua (e redes), que leve à queda de popularidade e sustentação política de Bolsonaro é que poderá derrubar o desgoverno, e não uma eleição Congressual. No mesmo sentido, somente esta mobilização poderá conduzir a outra correlação de forças para uma candidatura em 2022 que seja competitiva contra a ultradireita, caso não se consiga o impeachment.

Ou seja, as esquerdas devem apostar todas as fichas na mobilização social, e as bandeiras mais concretas para isso hoje são a luta pela vacina, pelo auxílio emergencial, pelo emprego e pelo fora Bolsonaro.

Marcel Farah
Educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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