05 Abr 2021 | domtotal.com

Ex-Villa Nova comemora Covid zerada na Austrália

'São países diferentes, de tamanhos diferentes, mas quando o governo age e a população ajuda, esse é o resultado'

Adilson ainda atua  na Austrália
Adilson ainda atua na Austrália (Arquivo pessoal)

Rômulo Ávila

O brasileiro Adilson Andrade de Melo Júnior comemorou o aniversário de 40 anos no dia 20 deste mês, ao lado da esposa (Amy), das filhas (Esmae 7 anos e Evie 5 anos) e de 70 amigos. Ex-jogador do Villa Nova (atuou no clube entre 95 e 2001), Adilson mora em Melbourne, na Austrália, país que conseguiu quase zerar as infecções e mortes por covid-19 e que vive situação inversa à do Brasil.

“Fiz festa para 70 pessoas. Aqui já tá liberado. No fim de semana que fiz a festa ainda tinha algumas restrições: casas noturnas e bares estavam com limite de 100 e 150 pessoas, dependendo do tamanho da casa”, disse o brasileiro, que também jogou pelas categorias de base do Madureira.

Nascido em Salvador, Adilson já morou em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro e está há 14 anos no país da Oceania. Ele não pensa em voltar para o Brasil, em razão da violência e do padrão de vida que conseguiu no exterior. Atualmente, o ex-volante é coordenador de um projeto para crianças vulneráveis e joga em um time semiprofissional. Em seu último clube, ele recebia o equivalente a R$ 700 por partida.

Lockdown

O brasileiro explica que os números positivos no combate ao novo coronavírus foram alcançados na Austrália com o respeito da população às medidas duras de restrição, inclusive um rigoroso lockdown. A Austrália tem 25 milhões de habitantes, enquanto o Brasil soma mais de 212 milhões. Com cerca de 22 milhões de habitantes, Minas Gerais tem 23.687 mortes em decorrência da covid-19 e 1.100.575 de infectados, Apesar das diferenças, Adilson acha que a situação no Brasil poderia ser bem melhor.

“São países diferentes, de tamanhos diferentes, mas quando o governo age e a população ajuda, esse é o resultado”, diz sobre as ações na Austrália.

Adilson conta que, no pior momento da pandemia, o estado de Victoria, onde fica Melbourne, registrou 20 mil dos quase 30 mil casos confirmados no país inteiro.

“Tivemos lockdown completo, podíamos sair de casa duas horas por dia e não podia sair por um raio de cinco quilômetros. Então, foi bem tenso. E isso durou por três, quatro meses. Mas foi o que teve de ser feito para conter o avanço, porque estava crescendo de uma maneira que poderia sair do controle”.

Cloroquina

Outra diferença apontada pelo ex-jogador do Villa Nova está no uso de medicamentos sem comprovação científica para combater a covid-19, como a cloroquina. “Essa discussão sobre a cloroquina aqui foi encerrada em abril do ano passado”, afirmou.

Vida quase normal

O ex-jogador conta que a vida no país está quase voltando ao normal, inclusive com o uso de máscara sendo retirado e jogos de futebol sendo liberados, assim como o funcionamento quase completo de escritórios e restaurantes. “Já não temos contaminação comunitária há mais de um mês e o estado de Victoria já está há três ou quatro dias sem ninguém internado com covid ou infectado. Estamos retomando a vida a passos largos”.

Com a situação controlada, o brasileiro explica que a vacinação é realizada de maneira tranquila e gradativa. De acordo com ele, o país é muito rigoroso para aprovar o uso de imunizantes. Somente as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca estão autorizadas na Austrália.

As fronteiras do país estão fechadas. Só podem entrar cidadãos australianos ou residentes e membros imediatos da família. Mesmo assim, todos que chegam por lá precisam cumprir duas semana de quarentena.

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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