30 Abr 2021 | domtotal.com

Justiça tardia é justiça falha!

A delonga da justiça pode ter consequências nefastas

STF declarou o ex-juiz Sergio Moro parcial
STF declarou o ex-juiz Sergio Moro parcial (Lula Marques)

Marcel Farah

Nunca gostei do ditado, "A justiça tarda mas não falha”.

Uma ação justa que atrasa é uma injustiça. Não se trata de uma injustiça momentânea, mas simplesmente uma injustiça.

A própria constituição diz, "A todos são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação".

Assim, um dos critérios para se definir a justiça de um julgamento é se foi célere, em tempo hábil, pois a delonga pode ter consequências nefastas.

Dito isso, penso no julgamento do plenário do STF que reconheceu ter sido o ex- juiz Sérgio Moro parcial no julgamento de Lula, complementando a decisão anterior, em que se reconheceu que os processos envolvendo Lula, como foi diversas vezes dito por sua defesa, não deveriam estar sendo julgados pela Justiça Federal de Curitiba. Afinal, outro princípio jurídico diz algo como, não se pode escolher o juiz que vai julgar a causa, como fizeram na lava jato.

Após o julgamento da suspeição de Moro, a defesa do ex-presidente se manifestou dizendo, "É uma vitória do direito sobre o arbítrio. É o restabelecimento do devido processo legal e da credibilidade do Judiciário no Brasil".

Permitam-me dizer, discordo, estamos longe de superar o arbítrio e recuperar a credibilidade do Judiciário.

Penso isso do ex-presidente Lula e de todos detentos que têm suas condenações anuladas por serem vítimas de injustiças do Judiciário.

Penso na dor que é para um avô estar preso quando seu neto de 7 anos morre! Ou seu irmão. E a Justiça o impede de ir ao velório!

Penso nos mais de 500 dias detido, massacrado pela mídia!

Penso em quem não tem o status e a possibilidade de falar, que Lula tem, como os trabalhadores anônimos que compõem a maioria da população carcerária, vítimas de tais injustiças.

Penso ainda, se Lula não fosse injustiçado, perseguido, com a conivência do, hoje libertador, Supremo Tribunal Federal, da mídia, das forças armadas e da opinião pública, não sofreríamos as consequências nefastas da proibição da candidatura Lula, e talvez não estivéssemos sob o governo assassino de Bolsonaro.

Portanto, não foi restabelecida a credibilidade da justiça, ela, na verdade, mostrou para que serve: fazer-se de salvadora dos desastres que ela mesma cria, mudar as coisas para que tudo permaneça como está, servir aos interesses daqueles que sempre mantiveram o povo brasileiro em um cativeiro, reproduzir eternamente nossa situação colonial…

Marcel Farah
Educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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