11 Jun 2021 | domtotal.com

A inércia não nos ajudará. Rua, rua, rua!

Daqui até as eleições falta muito tempo. Tempo suficiente para várias das situações que vivemos hoje se inverterem

Nos últimos dias, manifestações movimentaram as ruas do país
Nos últimos dias, manifestações movimentaram as ruas do país (Afp)

Marcel Farah

As avaliações negativas de Bolsonaro em alta. As intenções de voto em Lula dando vitórias para o petista. O desgaste provocado pela CPI da Covid no governo, e as dificuldades de recuperação da economia frente a alta da inflação. Fatos que têm gerado um clima de que derrotaremos Bolsonaro, o neoliberalismo e o fascimo que paira no Brasil, simplesmente com a inércia.

Mas, isso não procede.

Daqui até as eleições falta muito tempo. Tempo suficiente para várias das situações que vivemos hoje se inverterem.

Nesse tempo, que é suficiente para uma retomada de intenções de voto para Bozo, a única possibilidade de fazermos a diferença é não ficando inertes.

A vacinação avança e com ela a pandemia pode chegar a um estágio muito mais confortável até meados de 2022. A pressão da CPI da Covid sobre o governo pode se esvair nesse cenário.

Como estamos em um patamar econômico muito baixo, é provável que tenhamos melhorias na economia nos próximos meses e até anos. Mesmo sendo uma recuperação lenta e demorando para chegar a níveis pré-pandemia, o fato da tendência ser de melhora reflete nas intenções de voto, pois melhora a avaliação que as pessoas fazem do governo.

Nossa memória coletiva é fraca.

Portanto, podemos chegar a outubro de 2022 em uma situação totalmente diferente da que enfrentamos hoje, o que colocaria Bolsonaro como candidato fortíssimo à reeleição.

Por outro lado, não acredito que conseguiremos avanços a qualquer medida de impedimento, cassação de chapa, ou outra medida que interrompa este governo apenas pelas mãos das “instituições”.

Então, não temos alternativa. A única forma de derrotar o governo fascistóide genocida é mantê-lo sob intensa pressão com as armas que temos. Estas armas são hoje, as ruas. É lá que temos que ficar para não deixar ninguém esquecer que já são quase meio milhão de mortes, que poderíamos ter menos e que provavelmente, pelos dados dos cartórios, são mais. Que este governo é marcado pela irresponsabilidade ambiental, social, para com os segmentos necessitados, pelo desmonte do estado e das políticas redistributivas sociais. Que Bolsonaro está associado ao neoliberalimo, que concentra renda, aumenta a desigualdade, a miséria e a forma sob pretexto de um crescimento que nunca acontece. E junto com ele estão o exército, o centrão (nome de disfarce para a direita mais fisiológica), e todos os golpistas que apoiaram a derrubada de Dilma.

Temos que ficar na rua, porque o impeachment do genocida está na pauta do dia, além disso também por ser medida profilática contra a Covid, e para garantir que nossa memória coletiva não se esqueça do desastre que vivemos.

Marcel Farah
Educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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