10 Set 2021 | domtotal.com

Não flopou!

Não se pode subestimar o bolsonarismo

Bolsonaro participa de ato na Avenida Paulista em SP no dia 8/9
Bolsonaro participa de ato na Avenida Paulista em SP no dia 8/9 (Isac Nóbrega/PR)

Marcel Farah

O principal erro da oposição a Bolsonaro tem sido subestimá-lo.

Parece não encontrar abrigo na lógica política brasileira o fato de que um ser tão "desprezível" quanto o presidente tenha realmente força para além daquele 2018.

A direita gourmet e a esquerda parecem não querer acreditar que haja neste país segmentos consideráveis espraiados entre as classes sociais em que grassa uma cultura fascista.

O pior, este erro pode acabar levando o fascismo a mais vitórias.

O que ocorreu dia 07 de setembro tem despertado análises apontando para diversos lados. Dentre as quais, há muitas que reforçam insucessos dos bolsonaristas, dizendo que não, as manifestações não mobilizaram o público esperado, que não há apoio de nenhum outro espectro político ao discurso bolsonarista, que o presidente está isolado. Mais uma vez, subestimando a força e a capacidade da ultradireita brasileira.

Não admita o sucesso das mobilizações antidemocráticas, mas não feche os olhos para o que está acontecendo.

No mesmo sentido, não se intimidem, não se amedrontem, pois isso também corrobora para o sucesso fascista.

Foi um misto destas duas posturas que dominou a fala predominante sobre o que ocorreu, ao mesmo tempo que se subestima o poder daquela declaração de guerra com uma massa significativa de seguidores; de outro lado, curiosamente, se espalha o medo desmobilizante que contribuiu para minguar os atos contra o governo na mesma data.

Do lado da ultradireita não se deve esperar menos do que aconteceu. Na verdade, nem da direita deve-se esperar outra reação que: 1) um discurso contundente (mas apenas um discurso) como o do Fux do STF, ou 2) um discurso protocolar, como o de Lyra, do Congresso (que não apreciará pedido de impeachment), ou 3) decisões questionáveis, como de Moraes, do STF, ou 4) a tentativa de mobilização, com a do próximo domingo, do MBL, que não quer Bolsonaro mas quer Guedes.

Ou seja, ações confusas, que não dizem muito além de reclamar do próprio filho. Afinal, quem pariu Bolsonaro foi exatamente a omissão do STF com o golpe contra Dilma e o impedimento de Lula, a vacilação da direita que se diz democrática (leia-se a grande mídia além dos partidos tradicionais) nas eleições de 2018, e em toda a trajetória de negar a existência do fascimo enraizado em nossa cultura desde o fim da ditadura, senão desde antes.

Portanto, quem pode mudar esta equação é a esquerda. A começar por assumir que não! O 07 de setembro não flopou! Dito isso, como reagir à altura? Capacidade a esquerda tem, mas precisa parar de cogitar conciliação com os segmentos do lado de lá, assumir a polarização como dado, assumir as pautas que a identificam e liderar a oposição para a derrubada imediata dos fascistas do poder.

A guerra está aí, com 580 mil mortes, quem fingir que não vê dificilmente sairá vitorioso.

Marcel Farah
Educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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