07 Out 2021 | domtotal.com

O Carnaval que espere

As vacinas ainda são de caráter experimental e não garantem 100% de imunização

Prefeito Alexandre Kalil peitou os negacionistas e com isso salvou muitas vidas
Prefeito Alexandre Kalil peitou os negacionistas e com isso salvou muitas vidas (Amira Hissa/PBH)

Jorge Fernando dos Santos

Como já foi noticiado, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou que pretende realizar o Carnaval de 2022 sem o devido distanciamento social, medida de segurança recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) contra a pandemia de Covid-19. "Até novembro, a gente vacina toda a população carioca com as duas doses", declarou em tom de otimismo.

A decisão parece precipitada. As vacinas ainda são de caráter experimental e não garantem 100% de imunização, principalmente contra as novas cepas do coronavírus. Mesmo que os sintomas da doença possam ser amenizados, não há total certeza de que o paciente não correrá risco de morte ou de agonizar numa UTI de hospital.

Vale lembrar que a doença deu as caras no país no ano passado, justamente após o Carnaval, quando a presença de turistas europeus geralmente aumenta na Cidade Maravilhosa. Claro que a vida não pode ser infinitamente adiada devido à pandemia, que já matou cerca de 600 mil brasileiros. Contudo, ainda é cedo para escancarar a guarda.

Postura negacionista

Se a maioria dos políticos se preocupasse com a vida dos eleitores, o estrago provocado pela Covid-19 teria sido menor. Não podemos nos esquecer da política adotada pelo governo federal. Em vez de liderar a luta contra a pandemia, o egocêntrico Bolsonaro preferiu disputar espaço com prefeitos e governadores. Seu discurso negacionista incentivou a população a subestimar a doença e isso certamente aumentou o número de mortes.

Independentemente de preferências ideológicas ou simpatias pessoais, temos que admitir que foi graças a João Dória, governador de São Paulo, que iniciamos a campanha de vacinação. Não fosse o trabalho pioneiro do Instituto Butantan, a tragédia teria sido maior em todo o país. Da mesma forma, em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil peitou os negacionistas e com isso salvou muitas vidas.

Por mais que a economia tenha sido prejudicada, ninguém em sã consciência pode negar que as medidas restritivas foram fundamentais para retardar a contaminação em massa pelo coronavírus. O uso de máscaras e de álcool-gel, bem como o distanciamento social, são fundamentais na estratégia de luta contra o novo inimigo da humanidade.

Passaporte sanitário

Atualmente, uma tática adotada em vários lugares tem sido a exigência do passaporte sanitário, que consiste na comprovação de que a pessoa tomou as duas doses de uma das vacinas disponíveis. Por incrível que pareça, essa medida chegou a ser suspensa no país por uma decisão judicial, mas, felizmente, foi restabelecida a toque de caixa pelo STF.

Recentemente, a Prefeitura do Rio autorizou a realização de eventos "teste" com a presença de público, como jogos de futebol e festas, sem a obrigatoriedade do uso de máscaras. Para ter acesso, basta apresentar o certificado de vacinação e o teste PCR com resultado negativo.

Se isso funciona, só o tempo dirá. No entanto, a decisão pode servir de incentivo para aglomerações descontroladas à revelia das autoridades. Todo cuidado é pouco. Como alertam os médicos e a própria OMS, a pandemia ainda não acabou e não estão descartadas novas ondas da doença.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor e compositor, tem 46 livros publicados. Entre eles, Palmeira Seca (Prêmio Guimarães Rosa 1989), Alguém tem que ficar no gol (finalista do Prêmio Jabuti 2014), Vandré - O homem que disse não (finalista do Prêmio APCA 2015), A Turma da Savassi e Condomínio Solidão (menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte 2012).

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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