13 Out 2021 | domtotal.com

O feriado do Sr. Presidente

Bolsonaro participa de missa em Aparecida; Sérgio Moro para 2022; TSE barra gravações clandestinas

Ninguém respeita a sua necessidade de arejar a cabeça - arejar, deixar entrar um solzinho, iluminá-la, abri-la para o mundo
Ninguém respeita a sua necessidade de arejar a cabeça - arejar, deixar entrar um solzinho, iluminá-la, abri-la para o mundo (Alan Santos/PR)

Carlos Brickmann

Bolsonaro se mantém fiel às origens: como deputado federal por 28 anos, não há força humana que o faça trabalhar nos dias em que o Congresso não funciona - e que, convenhamos, são a maioria. E fica bravo quando, nesses dias de folga, o incomodam lembrando que ele é presidente. Ele é, gosta de ser, mas sem os ônus do cargo.

Sua Excelência passou o feriadão no Guarujá (SP). Nem tentou ir ao jogo do Santos, domingo, mas se queixou de que não o deixaram entrar no estádio por não ser vacinado. Mas se irritou mesmo foi na segunda-feira, quando lhe perguntaram sobre os 600 mil mortos de Covid no Brasil: "Qual país não morreu gente? Qual país não morreu gente? Responda! Olha, não vim me aborrecer aqui, por favor". É verdade: encara as centenas de milhares de falecidos como uns chatos, que morreram com o único e exclusivo objetivo de aborrecê-lo. E a chateação se espalha até por feriados, quando ele, segundo disse, "dá uma arejada na cabeça".

Ninguém respeita a sua necessidade de arejar a cabeça - arejar, deixar entrar um solzinho, iluminá-la, abri-la para o mundo. Pois não é que foi à missa de Nossa Senhora em Aparecida e aguentou pancadas até do arcebispo dom Orlando Brandes: "Para ser Pátria amada não pode ser Pátria armada". Dom Orlando arejou sua cabeça.

De 1964 a 2021

É sempre bom prestar atenção quando a Igreja Católica fala: em 1964, foi a irmã Ana de Lourdes, freira, que começou a articular a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que sinalizou amplo apoio popular à deposição do presidente João Goulart. Na época, um líder religioso católico, monsenhor Arruda Câmara, deputado federal, proclamava: "Armai-vos uns aos outros". A Igreja sinalizou em Aparecida que hoje está com quem não tem armas.

Tem Moro na reta

Tudo indica que o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro sairá candidato à Presidência da República. Já tem partido (o Podemos, dirigido pela deputada Renata Abreu, cujo líder no Senado é o ex-governador paranaense Álvaro Dias), já conversou sobre possível aliança com o governador gaúcho Eduardo Leite (que é candidato a candidato pelo PSDB), é bem lembrado por seus tempos de Lava Jato) e, o que em seu caso é uma vantagem a ser explorada, é detestado tanto por Lula quanto por Bolsonaro. Tem chance de dividir outros partidos, conquistando apoios como o do tucano cearense Tasso Jereissati. Tem possibilidades de ser a terceira via.

Se terá chance eleitoral é outra coisa. Mas assumirá que é candidato até o final do ano. Os bolsonaristas estão convencidos de que sairá, tanto que retomaram histórias anti-Moro do tempo em que deixou o Governo, atribuindo-lhe conexões com a CIA para prejudicar empresas brasileiras que competiam com as americanas.

Gravar, não

Aos ingleses se atribui a frase segundo a qual um cavalheiro não ouve as conversas dos outros (nem, portanto, as grava). O TSE, Tribunal Superior Eleitoral, passa a seguir esta norma: provas obtidas por meio de gravação ambiental clandestina, sem autorização judicial e sem o consentimento dos interlocutores, são ilícitas e não valem na Justiça. Essa notícia saiu no portal jurídico gaúcho Espaço Vital (espaçovital@espacovital.com.br).

Investigar, sim

Correto: gravação clandestina se presta a armações. E, como observa o excelente jornalista Fernando Albrecht, qualquer de nós, em conversa particular, diz coisas que, em público, seriam um escândalo. "No que diz respeito ao jornalismo, gravação às escondidas e principalmente fora do contexto é eticamente reprovável. Jornalista não é polícia, embora muitos acreditem que são". Quem quiser descobrir algo que investigue licitamente, sem armação, sem armadilha tecnológica, sem prévio viés de acusação.

Agropecuária sem devastação

Atenção, pessoal da área: reserve tempo que o evento é dos bons. No fim de novembro, ocorre o AgroRESET FEST 2021, para debater uma agenda ESG (sigla em inglês de Governança Social Ambiental) para o agro brasileiro. Serão 21 palestrantes de vários setores, de ícones do agronegócio a empreendedores jovens, investidores e start-ups do setor; e gerará o Plano para o agro ESG no Brasil, que será entregue aos candidatos à Presidência da República. Mais informações acesse o site.

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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