15 Out 2021 | domtotal.com

Fome e miséria aumentam, mídia tenta desvincular das políticas da direita

Em meio à catástrofe social que se abate pelo Brasil, a grande mídia prefere contar meias verdades, não dando nome aos reais culpados da situação

Dizem os jornalões que as favelas dobraram de tamanho nos últimos 10 anos, não dizem quanto disso aconteceu sob Bolsonaro
Dizem os jornalões que as favelas dobraram de tamanho nos últimos 10 anos, não dizem quanto disso aconteceu sob Bolsonaro (Mauro Pimentel / AFP)

Marcel Farah

Estamos revivendo fantasmas do passado, inflação, desemprego, miséria e fome. Enquanto isso, analistas da grande mídia tentam desvincular a catástrofe social das políticas engendradas por Paulo Guedes e demais liberais, também defendidas pelas empresas de comunicação.

A insegurança alimentar atinge mais da metade da população, 117 milhões de pessoas. Pesquisa recente da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) mostra que 20 milhões de pessoas passam 24 horas ou mais sem comer, no Brasil.

Os números sobre desemprego variam em torno de 13%, muito distante dos 5% que marcaram os governos Lula e boa parte do governo Dilma. Contudo os 13% escondem que há pessoas que nem procuram mais emprego e se sustentam na informalidade, chegando a 40 milhões de pessoas que gostariam de trabalhar mas não encontram trabalho, segundo o IBGE (PNAD contínua).

Para piorar a situação, a renda do trabalho despenca com a alta inflacionária. Os salários não têm sido repostos, visto que as negociações trabalhistas estão marcadas por pautas defensivas no âmbito privado, celetista; e no setor público o apelo a uma suposta responsabilidade fiscal - principalmente com as leis de controle de gastos editadas na pandemia como a LC Nº 173/2020 - tem impedido a data-base (revisão geral anual), mesmo sendo um direito constitucionalmente garantido.

A inflação corrói o poder de compra e já chega em dois dígitos, passando dos 10% somente este ano. Ou seja, em um momento em que as reposições salariais são ainda mais importantes, o discurso de austeridade conseguiu barrá-las.

Por outro lado, os auxílios governamentais para os mais necessitados são minguados, apesar do governo federal apostar em um turbo do bolsa família para o melhorar sua aprovação em ano eleitoral, 2022. Quer melhorar a aprovação eleitoral e não a vida das pessoas, para esta o governo destina pistolas e fuzis.

No meio disso tudo temos a mídia, grande fiadora das políticas econômicas deste governo que busca com manchetes supostamente neutras responsabilizar as décadas e não os mandatários políticos pelos feitos. Dizem os jornalões que as favelas dobraram de tamanho nos últimos 10 anos, não dizem quanto disso aconteceu sob Bolsonaro. Dizem que a extrema pobreza foi reduzida de 2004 a 2013 quando voltou a aumentar, mas não ressaltam o quanto aumentou no governo atual. Ajudam o governo a se defender dizendo que são efeitos da pandemia.

O que não deixam transparecer é que a política econômica seja a grande responsável. Política de austeridade, privatizações e sucateamento de políticas sociais, cujo principal responsável é o Bolsonaro, avalizado pelo seu ministro da Economia, o nome do mercado no governo.

Marcel Farah
Educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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