18 Out 2021 | domtotal.com

Mais uma dose? É claro que eu tô a fim


Toda feliz, estava contando os dias, essa semana tomei a terceira dose de vacina, o reforço. E se aparecer mais, se precisar tomar mais uma dose, podem me aguardar no local, dia e hora indicados. Não entendo, e não entenderei nunca, quem ousa não se vacinar e ainda sair por aí batendo no peito pela bravata, espalhando infelicidade e morte

Mais uma dose? É claro que estou a fim. Vacina, sim. Ele não
Mais uma dose? É claro que estou a fim. Vacina, sim. Ele não (Eduardo Lopes/Fotos Públicas)

Marli Gonçalves

É maldade. Ignorância? Burrice? Ou só, pensa nessa opção, medo de agulha com uso de álibi de pinceladas políticas? Pode ser, porque só explicações dessas podem fazer uma pessoa por em risco sua própria vida e a de quem o cerca, dentro ou fora de casa. Ousar fazer campanha contra a maior tábua de salvação que o mundo todo tem para sair dessa pandemia e que já provou ser eficiente; vacina, forma fundamental, inclusive vitoriosa, para erradicar doenças que já fizeram (e voltam a fazer agora com esses movimentos antivacinas) muita gente morrer, chorar e passar agruras; algumas, a vida inteira, como no caso das vítimas da poliomielite, e que à época alguns pais não acreditaram na importância. É sarampo, meningite, uma série de males evitáveis que, se começarem com força de novo a se espalhar, serão mais outros tempos bem terríveis nesse Brasilzão de Deus. Tanto descuido com a saúde, incluindo o descaso das autoridades, fez com que até a raiva, que já estava dada como erradicada, ressurgisse.

Por falar nisso, em chorar, não fui eu, juro, quem disse, fui até ouvir na rede oficial para acreditar se era verdade. Foi o próprio presidente na live onde, aliás, também tossia bastante. Foi ele quem comentou, digamos do nada, que - tadinho - chora muito trancado no banheiro, nem a esposa vê, e que ela acha que é o machão. No mesmo dia disse mais, que se pegar Covid tomará hidroxicloroquina e a ivermectina, um remédio de vermes, ops, feito para combater vermes, ambos comprovadamente ineficazes e perigosos se administrados em alguns casos. Mais: juntou alhos e bugalhos nas informações sobre os esperados remédios que os grandes laboratórios estão desenvolvendo. Justificou a tosse forte como uma gripe e não, ele não estava de máscara, nem mesmo assim. Rezemos pelo tradutor de libras que estava ao seu lado.

Dias antes havia dito que não vai mesmo se vacinar - Que surpresa!

Aí eu pergunto - eu, espero que você também, e o mundo todo, e quem tem informações, que vê a realidade, todos os preocupados com os descaminhos do Brasil nesses tempos pergunte - como pode estar ainda no cargo alguém capaz dessas e outras maldades, bobagens, atos, mentiras, tudo, as provocações que destila diariamente? Todos os crimes que comete e, mais uma vez, não, não estou me referindo à tal lista de onze crimes que estarão arrolados no relatório final da CPI, que nem precisa disso. Vários desses crimes, acintes, erros, comando de uma equipe incompetente em praticamente todas as áreas, vêm sendo praticados há mais de dois anos bem nas nossas fuças. Aplaudidos por uma turbinha animada, criada e regada, à base de ódio, no jardim dos desatinos.

A resposta não é simples: creio que é de novo o combinado de interesses, de compras e vendas de poder, emendas, barganhas, beneficiados. O combustível usado por todos os governantes desse país claudicante, um após o outro.

Mais uma dose? É claro que estou a fim. Vacina, sim. Ele não. E não, também.

Por favor, aconteça o que acontecer de agora em diante, apenas não esqueça o que já presenciamos. Nas próximas eleições uma das coisas que mais precisaremos fazer será de um tudo para negar veementemente em atos o que costumam dizer da gente, que brasileiro não tem memória. Precisaremos provar que temos sim, inclusive, ressalte-se, muita memória, e fresca, retroativa há muitos anos, em todas as direções, a tudo-tudo o que aconteceu e que foi o que acabou nos trazendo a esse calvário onde nos meteram.

... A noite nunca tem fim/ Por que será que a gente é assim? ...

Marli Gonçalves
é atual Diretora da Brickmann&Associados Comunicação, B&A, tem 30 anos de atuação na profissão. Na área de consultoria e comunicação empresarial foi, de 1994 a 1996, gerente de imprensa da multinacional AAB, Hill and Knowlton do Brasil (Grupo Standart. Ogilvy & Mather). Foi do Jornal da Tarde, da Rádio Eldorado, com passagem pela Veja SP. Participou ainda, nos 80, de várias publicações, entre elas, Singular & Plural, Revista Especial, Gallery Around ( com Antonio Bivar), Novidades Fotóptica, A-Z, Vogue. Na área política, entre outros, foi assessora de Almino Affonso, quando vice-governador de São Paulo, e trabalhou em campanhas para Fernando Gabeira e Roberto Tripoli. Na B&A, tem cuidado de Gerenciamento de Crises, ao lado de Carlos Brickmann.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

+ Artigos
Comentários