19 Nov 2021 | domtotal.com

Sonhos irrealizáveis da elite do atraso

Os sinais do desastre estavam presentes já em 2013 e 2014, e não foram poucos os que ignoraram

Manifestação na Avenida Paulista, São Paulo (SP), em março de 2016, levantava bandeiras antipetistas
Manifestação na Avenida Paulista, São Paulo (SP), em março de 2016, levantava bandeiras antipetistas (Abr)

Marcel Farah

Já pensou se a gasolina voltasse à casa dos 4 reais, nosso maior problema fosse a realização da Copa do Mundo no Brasil, mesmo que perdêssemos de 7 x 1, e o agito do mercado fosse tão grande com uma presidenta que defendeu os direitos dos trabalhadores e acusou os bancos de lucrarem demais no primeiro de maio, a ponto dos banqueiros apoiarem a qualquer custo a derrubada do governo petista?

Opa, o sinal de golpe já existia. Essa postura da elite financeira de querer mudar a regra do jogo quando este não lhe é plenamente favorável é o sinal. Pode parecer que nossos problemas pelos idos de 2013 e 2014 eram fofos, mas os sinais do desastre estavam presentes, e não foram poucos os que ignoraram.

De precedente em precedente a reputação vai pro saco, e a Justiça “passou o pano” para o golpe travestido de impeachment em 2016. Hoje, de forma muito mais escandalosa uma enorme pedalada é comprada pelo governo no Senado, a PEC dos precatórios. É comprada como dizem ter sido o mensalão ou a reeleição do FHC.

Da mesma forma, nos idos de 2016 Dilma negara apoio ao picareta do Eduardo Cunha, preso até recentemente por corrupção, e por isso o processo do impeachment foi aceito, pelo mesmo Cunha, e toda população de bem e mídia grande aplaudiu.

Hoje, Bolsonaro acoberta filhos, a si próprio, e busca se associar ao Valdemar Costa Neto, também condenado por corrupção. No governo torna informações sigilosas para se proteger, interfere na atuação da PF, busca indicações puramente políticas para o STF, tenta censurar o enem e dar um partido às escolas (diferente do que seus apoiadores sempre disseram), insiste em políticas neoliberais que aprofundam a crise econômica, contraria todas normas sanitárias levando a mais de 600 mil mortes por COVID-19 e não conseguimos derrubá-lo por impeachment.

Apesar da gritaria geral da direita não bolsonarista, a chamada “direita gourmet”, que vê com bons olhos a candidatura do juiz Moro, desrespeitador da Constituição Federal e do devido processo legal, agora diz que seria um perigoso precedente abrir um novo processo de impeachment. Contudo, o maior precedente está sendo aberto pela “tolerância” das instituições com o des-governo Bolsonaro, esse sim deixará feridas imensas, demoradas para cicatrizar.

Mesmo assim, diante de todas estas lições da história, insistimos, ou melhor nossas elites e o senso comum do brasileiro insiste em não aprender e continuar militando por sonhos irrealizáveis, como vencer o bolsonarismo com uma terceira via ou com uma proposta de conciliação, a mesma que permitiu o surgimento do bolsonarismo.

Continuam tendo sonhos irrealizáveis, ou estariam se fazendo de desentendidos?

Marcel Farah
Educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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