24 Dez 2021 | domtotal.com

Jogada de mestre, mas não pro nosso lado


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à AFP em São Paulo, em 1 de março de 2018
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista à AFP em São Paulo, em 1 de março de 2018 (AFP)

Marcel Farah

Jogada esperta da direita tem sido promover a possibilidade de Lula ter Geraldo Alckmin como vice. O ex-governador é um típico representante das elites e das propostas políticas conservadoras, dentre as quais a privatização e demais linhas do neoliberalismo.

O apelo por uma aliança que amplie os apoios, aproximando a candidatura Lula a uma candidatura de frente ampla, tem como principal argumento a necessidade de derrubar Bolsonaro. Ademais, busca aproximar-se da lógica norte americana em que um candidato moderado, Biden, foi amplamente apoiado contra Donald Trump.

O cálculo pragmático abandona a ideia de que Bolsonaro teria sido uma cria da moderação do passado, em que o PT abriu mão de seu programa democrático e popular por alianças em prol da governabilidade. Estas alianças deram espaço e reproduziram a política tradicional por dentro dos governos petistas, tornando-os governos bons para a população, mas insuficientes para as alterações estruturais que o país precisa.

Um dos sinais dessas insuficiências dos governos Lula e Dilma é a sensação de que rapidamente foram perdidas boa parte das conquistas daquela época.

Por outro lado, a jogada de colar Alckmin a Lula é uma forma da direita ter representantes em todas as candidaturas presidenciais de 2022, pois já está representada nas chapas de Bolsonaro, Dória, Moro e até Ciro Gomes, agora tenta crava um encalço na única possível chapa de esquerda. Qualquer semelhança com o Temer, vice de Dilma não é mera semelhança, aquela foi outra jogada de mestre da mesma direita.

Marcel Farah
Advogado e educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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