24 Jan 2022 | domtotal.com

Todo bolsominion tem razão

Que é que dizem as pesquisas sobre a eventual reeleição de Bolsonaro?

Que é que dizem as pesquisas sobre a eventual reeleição de Bolsonaro?
Que é que dizem as pesquisas sobre a eventual reeleição de Bolsonaro?

Carlos Brickmann

A Primeira Lei da Política é a sobrevivência. Candidatos a qualquer posto adoram estar num partido forte (daqueles cujo apoio vale cargos), onde haja acesso a quem manda chover na sua horta, em que todos ajudem sua eleição. Nem é preciso gastar dinheiro com pesquisas: um partido com chances e bom dinheiro atrai políticos. O contrário também vale: o partido até pode parecer forte, mas se o pessoal quer sair é porque há algum buraco no casco. Rato é ótimo para perceber que esses furos existem. Percebe e cai fora.

Que é que dizem as pesquisas sobre a eventual reeleição de Bolsonaro? A menos que o caro leitor seja especialista em campanhas, não perca tempo. A ministra Damares quer o cargo ambicionado por Janaína Pascoal. Bolsonaro quer Tarcísio disputando o Governo paulista (o que ele fará assim que souber onde fica São Paulo), mas o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, quer também disputar o cargo. Weintraub&Irmão já brigaram com Carluxo e com Eduardo Bolsonaro, até há pouco seus ídolos. Olavo de Carvalho fala mal de Bolsonaro (e, suprema grosseria, mandou-o enfiar uma condecoração justo na porta de entrada do Aristides). Allan dos Santos, foragido nos EUA, esteve com Fábio Farias, ministro da Comunicação, e em seguida ambos se dedicaram a trocar insultos. Weintraub&Irmão desceram a lenha no Centrão, logo depois de Bolsonaro lembrar que é Centrão desde que começou a fazer política. Mas Justiça seja feita: nenhum está mentindo. Todos eles têm razão.

Rachou mas não foi ele

Bolsonaro briga com facilidade com seus amigos, mas alguns mantêm a amizade há muitos e muitos anos. Waldir “Jacaré” Ferraz, por exemplo, não apenas é amigo de Bolsonaro como de seus filhos, os zeros à esquerda. Que é que diz Jacaré? Que o esquema da rachadinha existia, sim, nos gabinetes parlamentares de Bolsonaro, de Flávio e de Carlos. Mas o esquema não era deles, que aliás nem sabiam do que se passava, nem notavam o dinheiro extra na conta: o esquema, segundo Jacaré, era montado por Ana Cristina Valle, ex-mulher de Bolsonaro. Mas, a seu ver, Bolsonaro pode ser preso por causa disso: “Quem assinava era ele. Ele vai dizer que não sabe? É batom na cueca. Como é que você vai explicar? Ele está administrando. Não tem muito o que fazer (…) Acho que ele vai ter problema se não for reeleito. Vai tudo cair, vai perder o foro privilegiado e tal”. Mais? “Ele, quando soube, ficou desesperado, era uma fria. O cara foi traído. Ela que começou tudo. Bolsonaro nunca esteve ligado em nada dessas coisas. O cara não tinha visão do que estava acontecendo por trás no gabinete”. O apartamento nem era dele, era de um amigo (opa!!! Esqueça essa frase, é de outro caso estranho).

Escreveu, não leu

Eduardo Bananinha, filho 03 de Bolsonaro, disse que Jacaré não tinha dito nada. A revista Veja, que fez a entrevista, colocou as gravações no ar. Ana Cristina dá sua versão: “Não sou mentora da rachadinha. Ele (Bolsonaro) me chamava de sargentona, mas quem mandava no gabinete era ele. Quem assina as nomeações e exonerações é o parlamentar. Não faz sentido assinar sem ler porque todos eles são bem instruídos”.

Desmarrecando...

Quando decidiu se candidatar, Sérgio Moro tomou algumas providências: escolheu um partido que lhe conviesse, acusou Bolsonaro e Lula de quererem o poder pelo poder, já que não têm projeto de país, e procurou dar um jeito naquela voz estridente, que o levou a ganhar o ótimo apelido de Marreco de Maringá. O partido talvez dure pouco: o Podemos é pequeno, com pouca verba de campanha. Moro negocia com um novo partido, o União Brasil, fusão do DEM com o PSL, que tem muito dinheiro e, flexível, se adapta bem a cada Estado (Luciano Bivar, cacique do União Brasil, quer ser seu vice).

...e se adaptando

Projeto de país, Moro também não tem: parece que é a favor do que é bom e contra o que é ruim. Quer pagar mais aos professores, melhorar a Educação, reforçar a segurança – tudo o que todos querem, mas como fazer? Em compensação, a voz parece estar melhorando. Já é possível escutá-lo sem dor nos ouvidos. Mas é pouco para quem imaginava chegar chegando, como candidato para ganhar. Quer mudar de partido porque no atual não se vê decolando. E acredita (é novo no ramo) que trocar de partido lhe dará força.

Número quente

Dos jornais: “Salário médio pago por estatais sob controle da União chega a R$ 34,1 mil”. Lembra do Imposto Ipiranga, que prometia não só reduzir drasticamente o número de estatais sob controle da União como, no primeiro ano, arrecadar R$ 1 trilhão com privatizações? E esqueçam a pandemia: no primeiro ano do Governo Bolsonaro ninguém tinha ouvido falar de Covid.

Elza, para sempre

Frase do colunista Ruy Castro resume com perfeição a vida artística de Elza Soares: “Cantava como uma deusa, dançava como um demônio”.

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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