11 Mai 2022 | domtotal.com

É opinião, mas é da boa

Pesquisa é como corrida de Fórmula 1: os carros têm sua posição no grid de largada

Pesquisa mostra cenário da corrida eleitoral
Pesquisa mostra cenário da corrida eleitoral (Pixabay)

Carlos Brickmann

Não sabemos os nomes, os cargos, as condições da conversa; mas temos um bom ponto de partida, uma repórter normalmente bem relacionada e bem informada. Eliane Cantanhêde, de O Estado de S. Paulo e da Globonews, dá uma boa notícia: depois de conversar com boas fontes militares, não acredita que as Forças Armadas se lancem numa aventura golpista. Eliane não tem a menor simpatia por Bolsonaro, mas tem reputação (justa) de ser fiel à notícia. Eis o que diz: “A escalada de Bolsonaro, filhos, séquito e robôs é clara, mas se a gente olha os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica e se fixa no Alto Comando do Exército, é difícil encontrar ao menos um disposto a jogar seu nome na lama da História contra a democracia. Em vez de golpe com militares, o que não se pode descartar é que Bolsonaro esteja criando um clima de tumulto e instabilidade com sua turba civil, que armou com revólveres e fuzis e pode entrar em ação em caso de derrota”.

Este colunista já trabalhou com Eliane Cantanhêde e sabe que ela, por melhor que seja, nem sempre acerta. Mas sabe também que vale a pena ouvi-la, e que costuma acertar com grande frequência. E se Bolsonaro perder as eleições (ver nota abaixo) e os fanáticos entrarem em ação? Ela conversou com um oficial sobre a mais provável reação dos militares, nesse caso: “Cerca os caras, julga, condena e prende todo mundo. Acabou-se a história”.

João Goulart, em 1964, confiava em seu dispositivo militar. Errou feio.

Pesquisa de agora

Pesquisa é como corrida de Fórmula 1: os carros têm sua posição no grid de largada. Iniciada a corrida, só no fim se sabe o resultado. A pesquisa que indica hoje a posição dos candidatos na largada foi encomendada pela C NT, Confederação Nacional da Indústria, à MDA.

Seus resultados: Lula ganha com quase nove pontos percentuais de vantagem sobre Bolsonaro na pesquisa estimulada, quando a lista dos candidatos é apresentada ao público. São 40,6 a 32%. Sérgio Moro e Rodrigo Pacheco não estiveram na lista. Com ambos, na última pesquisa, Lula vencia por 42,2 a 28%. Seguem-se Ciro Gomes, com 7,1%, e João Doria, com 3,1%. Deve haver segundo turno.

A luta final

No segundo turno, diz a pesquisa, Lula venceria todos os adversários. Já Bolsonaro só perderia para Lula e Ciro e venceria Doria e Simone Tebet. O principal resultado: Lula 50,8%, Bolsonaro 36,8%.

Por baixo dos números

O que puxa Bolsonaro para baixo é a opinião sobre seu desempenho no governo. Desaprovam o trabalho de Bolsonaro 58,8%, contra 37,9% que o aprovam. São 44% que acham sua Presidência ruim ou péssima, enquanto 30% a consideram ótima ou boa. O item “emprego e renda” tem a pior das avaliações: 68,1%. Em seguida, entre os mais mal avaliados, vêm “saúde”, com 59,6%, “meio-ambiente” com 59,5%, “segurança pública” (56,9%), e “educação”, 55,5%. As avaliações são negativas em todos os setores: dos “benefícios aos mais pobres” (53%) ao “combate à corrupção” (50,6%). No “combate à pandemia”, 48,5% acham que o governo foi mal e 22% acham que foi bem.

É só resolver esses problemas que a avaliação melhora.

Olha o bolso!

Publicado segunda-feira no Diário Oficial da União: em despacho datado de 5 de maio, o gabinete do ministro da Cidadania autoriza o servidor Marcelo Reis Magalhães, secretário especial do Esporte do Ministério, a se afastar do Brasil para participar da 19ª Edição do ISF Gymnasiade Escolar, a se realizar na Normandia, França, no período de 17 a 22 de maio. E também acompanhar o torneio de tênis de Roland Garros, em Paris, de 25 a 28 de maio. O servidor se afasta de 17 a 30 de maio, “com ônus” para o Ministério.

País rico tem dessas coisas. Quase duas semanas em Paris. A gente paga.

Na hora certa

Há pessoas, pode acreditar, que não acreditam em coincidências. Pois cá está um caso interessantíssimo de coincidência, que vale a pena narrar. No próximo dia 17, o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, deve iniciar inspeção no Judiciário baiano, para ter certeza de que está tudo correto.

Pois há servidores do Judiciário que querem paralisar o TJ, Tribunal de Justiça, no mesmo dia 17! Coincidência, claro. E, após a paralisação, haveria manifestação. Há um áudio atribuído ao ex-presidente do Sindicato dos Serventuários, Edno Lima, pedindo para que técnicos e analistas desliguem os computadores e iniciem um apitaço no dia 17.

Uma das sugestões do tal áudio é que os sindicatos que congregam os servidores do Judiciário comprem de seis a sete mil apitos para que a manifestação seja o mais ruidosa possível, de maneira a que ninguém deixe de notá-la. Por que a paralisação? Porque os funcionários estão há sete anos sem reajuste de salários, e também porque o TJ não deu qualquer indicação de que pagará passivos trabalhistas.

Já faz tempo que isso acontece e agora há a paralisação. Coincidências!

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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