13 Mai 2022 | domtotal.com

O cancelamento da Petrobras

Companhia é um símbolo da soberania nacional

Edifício sede da Petrobras/
Edifício sede da Petrobras/ (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Marcel Farah

Desde sua criação a Petrobras é um símbolo da soberania nacional. Afinal, um país soberano controla sua mais estratégica riqueza, o petróleo. E mais, a utiliza em prol do bem estar de sua população.

Com esta intenção foi criada a Petrobras, a Eletrobras, a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional etc.

No mesmo sentido, de fortalecimento da indústria nacional, passamos pela chamada política de substituição de importações. Que se diferenciava da criação de empresas públicas porque, basicamente, trazia as multinacionais para dentro do país, ao inves de criar novas empresas (tanto públicas quanto privadas).

As importações de produtos estrangeiros foram substituídas por produtos nacionais, mas estes continuavam sendo produzidos por empresas estrangeiras, agora instaladas dentro do Brasil.

O grande incômodo quanto à criação das estatais, sempre foi das elites brasileiras. Que sempre preferiram a substituição das importações pela atração de empresas estrangeiras, e depois passaram a defender abertamente a primarização da nossa economia.

Esse incômodo não tinha relação com corrupção, ou com o tamanho do estado, mas sim, com o fato de que enormes mercados produtores e consumidores saíam da “mão invisível” do mercado, para submeter-se à mão estatal.

Em retaliação, as forças “pró-mercado-livre-acima-de-tudo-inclusive-da-racionalidade” passaram a construir discursos contrários às estatais.

Hoje colhemos frutos destes discursos quando debatemos os preços dos combustíveis.

Para os liberais só existe empresa se for privada. Pública deixa de ser empresa!

Se não dá lucro para seus acionistas, não pode ser empresa. Se não concentra renda, naõ pode ser empresa. A única forma de uma empresa contribuir seria com os impostos, caso contrário é subsídio e não pode.  Mas, por que não?

A Petrobras não foi criada para dar lucro, e sim para gerenciar uma riqueza da nação.

Ao equiparar o preço dos combustíveis com os preços internacionais, age como empresa privada. Tem lucros astronômicos, 44,5 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2022, e paga muitos impostos, acredito que na casa dos 70 bilhões. Valores altos, contudo incomparáveis com o possível controle da inflação pelo controle dos preços da Petrobras no mercado interno.

A política de preços dos governos petistas era muito mais racional.

A Petrobrás calculava o preço a partir do custo efetivo da produção dos combustíveis no Brasil. Tinha prejuízos? Não. Mas não dava tanto lucro.

A diferença é que ao manter combustíveis abaixo dos valores internacionais, a Petrobras divide os “lucros” com a população e não com seus desconhecidos acionistas.

Não falo de quem tem carro, mas de quem depende do preço do diesel para transportar o que põe na mesa. O tomate, a cenoura, o arroz, o feijão… Falo de quem mais sofre com a explosão da inflação.

É para isso que ela serve. É por isso que ela é pública. É por isso que quem manda na Petrobras é o governo, que é seu acionista majoritário.

É uma empresa de economia mista, sim, mas isso é apenas um tipo de estatal. Não quer dizer que deixou de ser estatal. Mente ou desconhece quem nega isso.

É por isso que é uma fake news que o Bolsonaro não controla a Petrobrás.

Talvez, isso tudo não passe da mesma política sorrateira de macular a imagem da estatal para poder vendê-la.

Uma verdadeira política de cancelamento da empresa, para que assim ninguém se mobilize contra sua privatização.

Marcel Farah
Advogado e educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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