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Ouvindo rádio

19/09/2014 06:00:38

O rádio chegou ao Brasil com o Centenário da Independência.
O rádio chegou ao Brasil com o Centenário da Independência.

Por Carlos Ávila

Uma das grandes vantagens do rádio, como meio de comunicação, é o fato de uma pessoa poder fazer qualquer atividade (dirigir um carro, cozinhar ou ainda tomar banho, por exemplo) e simultaneamente ouvir notícia, música ou um jogo de futebol. O som entra pelos nossos ouvidos e não mobiliza mais nenhum sentido. Trata-se de uma “mágica” do inventor italiano Marconi (1874/1937); embora São Google (como brinca o Kiko Ferreira, expert em rádio) nos informe que possa ser também uma criação de Roberto Landell de Moura, um padre brasileiro responsável por fazer em 1894 (dois anos antes de Marconi) uma expe­riência pioneira de radiodifusão…

O rádio no Brasil começou, oficialmente, com o Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, então capital da República, em 7 de setembro de 1922; curiosamente, no mesmo ano, começava a nossa “independência estética”, em São Paulo, com a Semana de Arte Moderna – os Andrades, Mário e Oswald, à frente. A voz do presidente Epitácio Pessoa foi irradiada por uma estação de 500 watts montada no alto do Corcovado pela companhia norte-americana Westinghouse. A primitiva transmissão foi captada por alto-falantes espalhados pela Exposição Nacional do Centenário da Independência e por aparelhos distribuídos pelo governo em São Paulo, Petrópolis e Niterói. Alguns meses depois, o pioneiro Roquette-Pinto (1884/1954) fundava a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

A partir daí o rádio ganhou, cada vez mais, espaço e expressão no Brasil. A Rádio Nacional, por exemplo, nos anos 1940 e 50, foi uma espécie de Rede Globo da época, por seu prestígio e penetração em toda parte do país. Instalada na Praça Mauá, no Rio, nos últimos andares do prédio do extinto jornal “A Noite”, a Nacional tinha um elenco de astros e estrelas de primeira categoria. No seu auditório, em programas de grande sucesso, se apresentavam Francisco Alves (conhecido como o “rei da voz”), Orlando Silva, Sílvio Caldas, Marlene, Emilinha Borba e muitos outros, apoiados nos arranjos do maestro Radamés Gnattali, um craque da antiga MPB. Havia também os programas humorísticos como o famoso “PRK-30”; o conhecidíssimo “Repórter Esso” (que mais adiante foi para a televisão) e o radioteatro, embrião das atuais novelas.

Grande parte dessa história já está devidamente registrada e estudada em livros como “No tempo de Almirante – uma história do rádio e da MPB”, de Sérgio Cabral; “Rádio Nacional – o Brasil em sintonia”, de Luiz Carlos Saroldi e Sonia Virgínia Moreira ou ainda “PRK-30” de Paulo Perdigão (uma bela edição da Casa da Palavra, que inclui dois CDs com programas originais remasterizados). Material de consulta obrigatória para pesquisadores da área de comunicação.

O rádio continua vivo e forte, e ainda é imbatível como veículo de notícia e música. Sofreu uma grande transformação com a entrada das FMs, mas, por incrível que pareça, “renasceu” com a internet – uma poderosa ferramenta de apoio às emissoras. Comunicação rápida e direta é com o rádio mesmo; e “quem não se comunica, se trumbica” como dizia o debochado Chacrinha, que criou o seu “Cassino” batendo latas, copos, pratos e panelas na boca dos microfones radiofônicos.

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