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O versátil Guilherme Mansur

28/11/2014 06:00:26

Guilherme Mansur: “tipoeta” ouro-pretano.
Guilherme Mansur: “tipoeta” ouro-pretano.

Por Carlos Ávila

O ouro-pretano Guilherme Mansur tem várias facetas; ele é, simultaneamente, poeta, tipógrafo/editor, artista gráfico e/ou plástico e ainda designer virtual. Um craque que joga em várias posições, Guilherme, na verdade, é um inventor livre que, independente de suportes ou materiais – indo do papel à pedra, signo máximo de sua barroca cidade natal –, vem realizando uma obra múltipla, cheia de surpresas e muita criatividade.

No momento, parte de seu trabalho está em exposição no Campus I, do CEFET- MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, em BH, à Avenida Amazonas, 5253 – Bairro Nova Suíça). A mostra, que fica em cartaz por trinta dias, integra o seminário “Poesia, tipografia e artes gráficas”, que foi realizado no último dia 25, com três mesas redondas sobre os variados aspectos da obra de Guilherme. O poeta e professor Mário Alex Rosa foi o organizador do evento que contou, entre seus participantes, com a estudiosa e ensaísta Guiomar de Grammont e o poeta-tradutor Ronald Polito. Os textos apresentados nas palestras serão reunidos, proximamente, num livro/catálogo editado pelo CEFET.

A trajetória de Guilherme inclui a criação da publicação “Poesia Livre” – um “saquinho de poesia” (como aqueles de papel pardo usados, em geral, pelas padarias) com folhas soltas abrigando poemas de colaboradores de todo o país. O primeiro número foi lançado em 1977; o último circulou na “primavera de 1985”.

Afora isso, Guilherme editou seus próprios livros (e também de outros poetas) na Gráfica do Fundo de Ouro Preto: belas edições artesanais, de pequena tiragem, com tipos móveis e, muitas vezes, papel reciclado, sempre com capas e ilustrações criadas por ele. Uma produção editorial que juntamente com a de Cleber Teixeira (1938/2013), na Noa Noa, em Santa Catarina, se destaca pelo bom-gosto e excelência gráfica.

Entre os títulos assinados e editados por Guilherme contam-se “Gatimanhas e felinuras”, “Haicavalígrafos” e “Bahia Baleia”. Seus livros infantojuvenis “Bichos Tipográficos” e “Um gato fazendo hora” saíram pelas editoras Dubolsinho e SESI; “Bandeiras – territórios imaginários” teve edição/animação em vídeo da Rede Minas de Televisão. Entre os autores editados por Guilherme estão os poetas Haroldo de Campos, Laís Corrêa de Araújo, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Josely Vianna Baptista, Michael Palmer (em tradução de Régis Bonvicino) e Júlio Castañon Guimarães; o cineasta Sylvio Back e o artista plástico Carlos Scliar.

Mas o versátil Guilherme fez e faz muito mais: logomarcas, postais, gravuras, poemas-cartazes, volantes (folhetos multicoloridos que são lançados de torres de igrejas em Ouro Preto, nas suas já famosas “chuvas de poesia”); a concepção e diagramação de jornais e revistas; fotos, projeções e vídeos; capas e ilustrações para livros; esculturas e instalações.

Espera-se que a atual exposição de Guilherme no CEFET possa circular além de Minas e que o seu trabalho gráfico-visual tenha maior reconhecimento de público e crítica. O “tipoeta” ouro-pretano (termo cunhado por Haroldo de Campos para definir Guilherme), com todas as suas artimanhas bem-humoradas, barroco-construtivas, é mesmo um artífice da palavra-imagem, uma figura única no cenário da poesia e da arte contemporânea.

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