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ABC DA LITERATURA

30/01/2015 06:00:10

Pound: preocupação com a linguagem eficiente
Pound: preocupação com a linguagem eficiente

Por Carlos Ávila

Os irmãos Campos (Augusto e Haroldo), Décio Pignatari e Mário Faustino foram os responsáveis pela divulgação da obra do poeta e crítico norte-americano Ezra Pound (1885/1972) no Brasil, em meados do século passado. Com isso, introduziram no país uma forma de análise das obras literárias (particularmente, da poesia) bastante pragmática e direta – utilizando o método comparativo.

Esse procedimento está compactado no “ABC da Literatura”, que saiu pela primeira vez traduzido aqui em 1970. Trata-se de um livro fundamental, com observações certeiras e exatas, que todos que se propõem a escrever deveriam, obrigatoriamente, ler. Seguem abaixo alguns toques de Pound.

Literatura é novidade que PERMANECE novidade.

Os bons escritores são aqueles que mantêm a linguagem eficiente.

Se a literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e decai.

Grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado até o máximo grau possível (…); poesia é a mais condensada forma de expressão verbal.

Quanto mais depressa vocês forem aos textos, menos necessidade terão de dar ouvidos a mim ou a qualquer outro crítico fastidioso.

O meio de aprender a música do verso é escutá-la.

A incompetência se manifesta no uso de palavras demasiadas.

Os artistas são as antenas da raça.

A primeira fase dos escritos de qualquer pessoa sempre mostra o autor fazendo algo “parecido com” algo que ele já ouviu ou leu. A maioria dos escritores nunca ultrapassa esse estágio.

O conceito de gênio como próximo da loucura foi cuidadosamente fomentado pelo complexo de inferioridade do público.

O mau crítico se identifica facilmente quando começa por discutir o poeta e não o poema.

Graças a Deus há livros que a gente aprecia MAIS antes dos 25 anos e há outros livros que a gente AINDA lê aos 45 e ainda espera ser capaz de ler quando estiver batendo os pinos.

O crítico honesto deve contentar-se em encontrar uma parcela MUITO PEQUENA da produção contemporânea digna de atenção séria; mas deve também estar pronto para RECONHECER essa parcela, e para rebaixar de posto uma obra do passado quando uma nova obra a supera.

A burla, a tapeação, a falsificação são tão comuns que passam despercebidas (…). A natural destrutividade dos jovens pode funcionar vantajosamente.

O domínio da técnica não é alcançado sem pelo menos certa persistência.

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