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Carnaval em versos

18/02/2015 06:00:48

Bandeira: carnaval em versos metrificados
Bandeira: carnaval em versos metrificados

Por Carlos Ávila

Espera-se que, apesar de tudo – principalmente do “Petrolão” –, todos tenham curtido o carnaval, da melhor maneira possível. Pós-folia: poesia no país do carnaval. Versos momescos escolhidos aqui e ali, nas obras de três poetas brasileiros. Carnavalização poética em versos metrificados ou livres, rimados ou não, ritmados sempre! Comecemos com as duas estrofes iniciais da deliciosa “Bacanal” de Bandeira, do seu segundo livro, publicado em 1919 e intitulado justamente “Carnaval”:

Quero beber! cantar asneiras

No esto brutal das bebedeiras

Que tudo emborca e faz em caco…

Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada

No torvelim da mascarada,

A gargalhar em doudo assomo…

Evoé Momo!

E Mário de Andrade rebate Bandeira, dedicando a ele o seu “Carnaval carioca”, escrito em 1923, mas publicado apenas em 27, no seu livro “Clã do Jabuti”. Celebração da folia em versos livres e longos, como convém ao tema. Festa dos sentidos, à flor da pele do poema. A seguir, um fragmento:

Entoa atoa a toada safada

E no escuro da boca banguela

O halo dos beiços de carmim.

Vibrações em redor.

Pinhos gargalhadas assobios

Mulatos remelexos e buduns.

Palmas. Pandeiros. – Aí, baiana!

Baiana do coração!

Mas eis que chega o fim da folia (da poesia?), baixa a quarta-feira de cinzas, e vêm em marcha lenta os versos da famosa canção do velho Vinicius, poeta e letrista; criador da “Marcha da quarta-feira de cinzas” (em parceria com Carlos Lyra), cuja primeira estrofe reproduzimos aqui. Vinicius, “o branco mais preto do Brasil/na linha direta de Xangô”, encerra este mini-carnaval – sonoro/verbal:

Acabou nosso carnaval

Ninguém ouve cantar canções

Ninguém passa mais brincando feliz

E nos corações

Saudades e cinzas foi o que restou…

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