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Em defesa das livrarias

04/03/2015 06:00:17

Livrarias: fundamentais para a difusão da cultura.
Livrarias: fundamentais para a difusão da cultura.

Por Carlos Ávila

Recentemente, o escritor Francisco Azevedo escreveu no “Globo” uma crônica relatando um passeio por Nova York “em busca das livrarias perdidas”. Seu texto é uma espécie de lamento-protesto contra o desaparecimento de grandes e tradicionais lojas de livros, que fecharam suas portas nos últimos anos: Coliseum Books, Rizzoli, Bretano’s, Drama Bookshop, Gotham Book Mart…

Essas livrarias transformaram-se, segundo o escritor, em “laminado gélido sem identidade alguma”, loja de cosméticos, restaurante fast food, joalheria… Progresso? A nosso ver, um retrocesso. O fechamento das livrarias, infelizmente, vem ocorrendo em toda parte; é um fato lamentável (mais grave ainda num país como o Brasil, com uma educação precária e ainda com bolsões de analfabetismo). As vendas via internet talvez sejam as principais responsáveis por essa situação.

Os livros são nossos amigos – como dizia o grande erudito, escritor e professor, Eduardo Frieiro (1889-1982), de origem galega (seus pais nasceram em Potevedra, na Espanha), que viveu em BH; ele foi o fundador e primeiro diretor da Biblioteca Pública de Minas Gerais. Os inimigos dos livros são as nossas insuficiências educacionais e culturais – obstáculos à formação de leitores, ao fortalecimento do país e da língua (aliás, “um viva” ao senador Cristovam Buarque – incansável defensor de maior investimento na educação).

Mas voltemos às nossas livrarias. Que os deuses as guardem! E que continuem ativas, cumprindo seu importante papel. Aqui em BH, no Rio e em São Paulo, em Recife e em Porto Alegre, em Salvador e em Brasília, enfim, em todo lugar – nas pequenas, médias e grandes cidades.

Frequentar livrarias (e sebos também, por que não?), estar entre livros e leitores – curtidores de novas e velhas edições – é um prazer que nenhuma “virtualidade” ou rede social substitui. A fisicalidade do livro (o papel – seu tipo, gramatura e até seu cheiro; a impressão; as fontes utilizadas; as ilustrações; o design da capa etc.) continua fascinando e atraindo.

Em BH, na região da Savassi, há um “corredor” (na Rua Fernandes Tourinho) com três pequenas e charmosas livrarias: Scriptum, Quixote e Ouvidor estão lá, firmes e fortes, há bastante tempo. Nas redondezas existem ainda a Mineiriana, a Martins Fontes, a Status e a Leitura; já no centro da cidade encontram-se a livraria da UFMG e a tradicional Van Damme – um negócio dos belgas Johans (pai e filho), que começou em 1966 –, além de vários sebos (principalmente no Ed. Maletta).

Para nós seria impensável viver num mundo sem livrarias, sem o contato direto com o livro – suporte que resiste bravamente até hoje, num mundo em que tudo vai se desmaterializando (inclusive, o próprio livro: os e-books já estão por aí).

“Há uma arte de amar os livros,” – afirma Frieiro – “como há uma arte de amar ovidiana, uma arte de amar o amor. Querer bem aos livros é um sentimento que se parece muito com o amor dos sexos (…). O volume de prosa ou verso ocupa na vida de alguns eleitos um lugar tão importante como a mesa, o sono e o amor”.

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