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Poética de Horácio

14/08/2015 06:00:22

Horácio: ideias ainda atuais.
Horácio: ideias ainda atuais.

Por Carlos Ávila

É incrível (e inegável) a atualidade de algumas ideias de Horácio – Quintus Horatius Flaccus (65-8 a.C.), o lírico romano, o poeta do carpe diem, que escreveu inúmeras sátiras e odes, epodos e epístolas; essas ideias estão na Epistula ad Pisones – sua arte poética, traduzida diretamente do latim por Jaime Bruna (foi publicada nos anos 1980 e saiu pela Ed. Cultrix; o volume traz também textos de Aristóteles e Longino). “Com Virgílio e Catulo, Horácio forma a tríade maior da poesia latina clássica” – segundo Décio Pignatari, que traduziu algumas de suas odes.

Nessa Ars Poetica – de extrema utilidade – Horácio expõe seu pensamento, com precisão e síntese; enfatiza, na poesia, a economia (“que impõe eliminar o supérfluo que cansa o ouvido”), o equilíbrio e a harmonia. Preocupa-se com a organização e com a estrutura da obra – ideias fortes e ainda atuais; seguem abaixo algumas delas.

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A pintores e poetas sempre assistiu a justa liberdade de ousar seja o que for.

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Tomem um tema adequado a suas forças; ponderem longamente o que seus ombros se recusem a carregar, o que aguentem. A quem domina o assunto escolhido não faltará eloquência, nem lúcida ordenação. A força e a graça da ordenação, se não me engano, estão em dizer logo o autor do poema enunciado o que se deve dizer logo, diferir muita coisa, silenciada por ora, dar preferência a isto, menosprezo àquilo.

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Reviverão muitos termos que haviam caído e outros, hoje em voga, cairão se assim reclamar a utilidade, de cujo arbítrio exclusivo pende o justo e o normal numa língua.

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Se não posso nem sei respeitar o domínio e o tom de cada gênero literário, por que saudar em mim um poeta? Por que a falsa modéstia de preferir a ignorância ao estudo?

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É difícil dar tratamento original a argumentos cediços.

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Retenham o poema que não tenha sido apurado em longos dias por muita rasura, polido dez vezes até que uma unha bem aparada não sinta asperezas.

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Seja breve, para que, numa expressão concisa, o recolham docilmente os espíritos e fielmente o guardem; dum peito já cheio extravasa tudo o que é supérfluo.

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Aos poetas, nem os homens, nem os deuses, nem as colunas das livrarias perdoam a mediocridade.

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