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Invenção

28/08/2015 06:00:00

Capa do primeiro número de “Invenção” (1962).
Capa do primeiro número de “Invenção” (1962).

Por Carlos Ávila

A história da literatura brasileira é marcada por gerações e revistas. Em geral, em torno das revistas formam-se grupos que trabalham dentro de uma mesma direção estética ou de pensamento. Foi assim no modernismo com os nomes reunidos em “Klaxon”, “A Revista”, “Verde”, “Revista de Antropofagia”, “Terra Roxa” e “Estética”; foi assim também com as vanguardas dos anos 1950/60 – nas revistas “Invenção”, “Tendência” e outras mais.

Nesse sentido, a atual reedição das revistas modernistas citadas acima – em fac-símile, numa caixa (iniciativa conjunta entre a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e a Biblioteca Mário de Andrade) – reveste-se de grande importância. Novas iniciativas de reedição seriam bem-vindas, inclusive de publicações mais recentes.

“Invenção”, particularmente, pelo seu alcance e abertura estética, merece ser reeditada. Essa “revista de arte de vanguarda” (o subtítulo vinha logo abaixo do nome, impresso diversas vezes, em várias direções, na capa), nos seus cinco números, lançados entre 1962 e 1967, veiculou o que havia de mais importante e instigante no cenário poético e artístico brasileiro nesse período.

Evoluindo de uma página no extinto “Correio Paulistano”, depois de um ano de atividades, para se transformar em revista, “Invenção” se propunha a ser um órgão aberto à experimentação e ao “signo novo”, como foi afirmado diretamente no editorial do primeiro número, em 1962, pelo seu diretor responsável, o poeta Décio Pignatari.

“Aqui, em ‘Invenção’, tenta-se um campo onde se pode projetar, em termos inteligíveis, a luta da nova arte” – escreveu Pignatari no editorial, acrescentando: “Junto da literatura, desejamos que estejam as artes mais ativas de nosso tempo – a arquitetura e o cinema – e a arte mais atrasada em nosso país: a música. As artes chamadas plásticas ou visuais merecerão as abordagens radicais de que estão necessitando”.

Embora Pignatari fosse o diretor da revista, “Invenção” contava com uma “equipe” cujos integrantes tinham seus nomes no experiente em todas as edições: os poetas Augusto de Campos, Cassiano Ricardo, Edgard Braga, Haroldo de Campos, José Lino Grünewald, Mário da Silva Brito, Pedro Xisto e Ronaldo Azeredo; no número quatro a equipe foi acrescida de Luiz Ângelo Pinto e, no cinco, de Erthos Albino de Souza.

Nomes importantes, não só do Brasil, mas também do exterior, colaboraram em “Invenção”: Manuel Bandeira, Murilo Mendes, Eugen Gomringer, Max Bense, Edwin Morgan, Henri Chopin, E. M. de Melo e Castro, Benedito Nunes, Affonso Ávila, José Paulo Paes, Silviano Santiago, Sebastião Uchoa Leite, Paulo Leminski, Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Régis e Rogério Duprat, Waldemar Cordeiro etc.

“Invenção” precisa ser estudada e reavaliada. A revista é pouco conhecida, inclusive por estudiosos e pesquisadores do meio acadêmico; hoje seus exemplares são raridades bibliográficas. Impossível negar sua importância, histórica e cultural – daí a necessidade de uma reedição, a exemplo da que foi feita agora com as revistas modernistas.

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