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A turma da Mônica e do Maurício

11/11/2015 06:00:52

Maurício: linguagem brasileira.
Maurício: linguagem brasileira.

Por Carlos Ávila

Maurício de Sousa completou 80 anos em 2015; um dos mais importantes quadrinistas do Brasil (ao lado de Ziraldo e de mais alguns outros), ele é o criador da Mônica (sua personagem mais conhecida e querida pelos leitores) – mas também do Cebolinha, do Horácio, do Bidu, da Magali, do Cascão etc. Ou seja, a turma da Mônica.

Maurício – juntamente com o mineiro Ziraldo, criador do Pererê – consolidou uma linha de tradição de revistas em quadrinhos no país, que teve início no começo do século 20. São referências o famoso “Tico Tico” (que começou a circular em 1905!) e o “Suplemento Juvenil” de Adolfo Aizen (este o grande introdutor dos comics norte-americanos por aqui: Mandrake, Tarzan, Flash Gordon etc.) – que mais adiante, em 45, funda a editora EBAL e introduz temas e heróis brasileiros nos quadrinhos. Roberto Marinho lançou o “Globo Juvenil” para competir com o “Suplemento”.

Esse era o cenário inicial dos quadrinhos no país – história já registrada por Reinaldo de Oliveira e Álvaro de Moya, em livro deste último: “Shazam!”, de 1970; estudo pioneiro ao lado do volume “A explosão criativa dos quadrinhos”, de Moacy Cirne, lançado no mesmo ano.

Na verdade, “Pererê” e “Mônica” trazem uma linguagem brasileira, com personagens e enredos tipicamente nossos que não devem nada em termos de qualidade aos comics, bandes dessinées ou fumetti. Paralelamente, surgem no país quadrinhos de humor e de crítica social diferenciados (do ferino e irônico Henfil ao pós-nacionalista e algo contracultural Angeli); também os quadrinhos pornô-eróticos (cujo pioneiro é o brutalista Carlos Zéfiro), de terror e até poético-experimentais (os poemics de Álvaro de Sá, por ex.). Mas esta é outra história.

Mônica apareceu, pela primeira vez, em 63, numa tirinha da “Ilustrada”, na “Folha de SP”; em gibi, surge em 70. No último sábado, a “Folhinha” fez uma bela edição-homenagem a Maurício de Sousa – reproduzindo e definindo sinteticamente 80 personagens do autor, nos seus 80 anos de vida (aliás, Ziraldo também já é um octogenário). Maurício e Ziraldo continuam ativos e produtivos.

Os dois quadrinistas (hoje, “clássicos”) já foram tema de estudo aprofundado de Moacy Cirne, no livro “A linguagem dos quadrinhos – o universo estrutural de Ziraldo e Maurício de Souza”, publicado em 71. Cirne destaca a inventividade dos dois; por ex. “os procedimentos onomatopaicos” do primeiro (não só no Pererê) e “a metalinguagem e o absurdo ontológico” no segundo.

Mônica e sua turma saltaram dos quadrinhos para a TV e para o cinema – foram reinventados em animação visual. Na época em que lançou seu livro, Cirne considerava Maurício o mais importante autor brasileiro nessa área; “um dos dois ou três nomes mais significativos de nossas estórias quadrinizadas, de ‘O Tico-Tico’ até hoje”.

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