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O escândalo das pesquisas... desde 1948

11/10/2014 20:45:33
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O tempo passa, o mundo gira e as pesquisas continuam incomodando muita gente, como uma manada de elefantes.

Nas eleições do dia 5, vários dirigentes partidários afirmaram em entrevistas que “os grandes derrotados são os institutos de pesquisa, que erraram grosseiramente”. No início das apurações, chegaram a acreditar, por exemplo, que o caso do ex-ministro Padilha, candidato a governador de São Paulo, tinha tudo para ser um nova orquestração das pesquisas destinada a influir no ânimo do eleitorado e nos resultados finais.

Padilha vinha aparecendo nos levantamentos de intenção de voto quase como um nanico, com números que não iam além de 12%. Na boca de urna, confirmada pelos primeiros resultados da apuração, o ex-ministro saltou para mais de 20%. Parecia claro que uma derrapagem desse tamanho só podia ser manipulação. E vozes indignadas se levantaram para acusar mais um crime.

Horas depois, terminada a apuração, ninguém falava mais nisso: Alkmin estava reeleito, conforme previsto, e Padilha obteve 18% dos votos, um pouco abaixo do desempenho costumeiro do PT em São Paulo. Nada que lembrasse erros históricos das pesquisas de opinião, como as surpresas paulistanas da vitória de Jânio Quadros contra FHC e a de Luíza Erundina contra Maluf.

Pesquisas de opinião são instrumentos imperfeitos porque não analisam o fato real, mas sua simulação antecipada. Entre o real e o momento retratado num levantamento, uma infinidade de fatos aleatórios podem influenciar a decisão do eleitor. Ter intenção de votar em fulano e de fato votar nele é atravessar a chuva sem se molhar – e é esse movimento improvável que as pesquisas tentam captar com a precisão possível, disputando com todas as forças que tentam mudar a decisão do eleitor.

A maior parte das denúncias de manipulação nas pesquisas não passa de jus esperneandi. É um discurso pronto para aliviar as feridas de derrotados, o que é compreensível mas enfadonho. A lorota é sempre a mesma, com poucas exceções. Agora mesmo já começam a circular insinuações de que a virada final de Aécio Neves teria sido fraudulenta, ou de alguma forma ilegítima.

A suspeição é a nossa praia. Soa inteligente e justifica qualquer fracasso lançar dúvidas a respeito de tudo, mesmo sem provas ou sequer indícios. Viradas e surpresas, por mais difícil que seja admitir isso num país como o Brasil, podem acontecer dentro da lei, como em qualquer país.

Em 1948, o presidente norte-americano Harry Truman concorria à reeleição com o candidato do Partido Republicano Thomas Dewey. As pesquisas apontavam a fragilidade do presidente. Nos últimos dias, sua situação era crítica; os levantamentos de boca de urna confirmavam claramente a vitória do republicano.

No dia da votação, o Chicago Tribune,um dos maiores jornais dos EUA, foi para as bancas com esta manchete bombástica e cheia de certeza: “Dewey derrota Truman”. Acabara de escrever uma das mais famosas bobagens da história da imprensa americana – Dewey nunca derrotou Truman, que no final daquele dia comemorou a reeleição na Casa Branca, posando para fotos com o Chicago nas mãos. Tudo consequência de pesquisas mal elaboradas, mal interpretadas, ou simplesmente desmentidas por algum movimento de manada feito pelo eleitorado.

Enfim, pesquisa de opinião é coisa de homem humano, comentaria Riobaldo Tatarana.

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O tempo passa, o mundo gira e as pesquisas continuam incomodando muita gente, como uma manada de elefantes.

Nas eleições do dia 5, vários dirigentes partidários afirmaram em entrevistas que “os grandes derrotados são os institutos de pesquisa, que erraram grosseiramente”. No início das apurações, chegaram a acreditar, por exemplo, que o caso do ex-ministro Padilha, candidato a governador de São Paulo, tinha tudo para ser um nova orquestração das pesquisas destinada a influir no ânimo do eleitorado e nos resultados finais.

Padilha vinha aparecendo nos levantamentos de intenção de voto quase como um nanico, com números que não iam além de 12%. Na boca de urna, confirmada pelos primeiros resultados da apuração, o ex-ministro saltou para mais de 20%. Parecia claro que uma derrapagem desse tamanho só podia ser manipulação. E vozes indignadas se levantaram para acusar mais um crime.

Horas depois, terminada a apuração, ninguém falava mais nisso: Alkmin estava reeleito, conforme previsto, e Padilha obteve 18% dos votos, um pouco abaixo do desempenho costumeiro do PT em São Paulo. Nada que lembrasse erros históricos das pesquisas de opinião, como as surpresas paulistanas da vitória de Jânio Quadros contra FHC e a de Luíza Erundina contra Maluf.

Pesquisas de opinião são instrumentos imperfeitos porque não analisam o fato real, mas sua simulação antecipada. Entre o real e o momento retratado num levantamento, uma infinidade de fatos aleatórios podem influenciar a decisão do eleitor. Ter intenção de votar em fulano e de fato votar nele é atravessar a chuva sem se molhar – e é esse movimento improvável que as pesquisas tentam captar com a precisão possível, disputando com todas as forças que tentam mudar a decisão do eleitor.

A maior parte das denúncias de manipulação nas pesquisas não passa de jus esperneandi. É um discurso pronto para aliviar as feridas de derrotados, o que é compreensível mas enfadonho. A lorota é sempre a mesma, com poucas exceções. Agora mesmo já começam a circular insinuações de que a virada final de Aécio Neves teria sido fraudulenta, ou de alguma forma ilegítima.

A suspeição é a nossa praia. Soa inteligente e justifica qualquer fracasso lançar dúvidas a respeito de tudo, mesmo sem provas ou sequer indícios. Viradas e surpresas, por mais difícil que seja admitir isso num país como o Brasil, podem acontecer dentro da lei, como em qualquer país.

Em 1948, o presidente norte-americano Harry Truman concorria à reeleição com o candidato do Partido Republicano Thomas Dewey. As pesquisas apontavam a fragilidade do presidente. Nos últimos dias, sua situação era crítica; os levantamentos de boca de urna confirmavam claramente a vitória do republicano.

No dia da votação, o Chicago Tribune,um dos maiores jornais dos EUA, foi para as bancas com esta manchete bombástica e cheia de certeza: “Dewey derrota Truman”. Acabara de escrever uma das mais famosas bobagens da história da imprensa americana – Dewey nunca derrotou Truman, que no final daquele dia comemorou a reeleição na Casa Branca, posando para fotos com o Chicago nas mãos. Tudo consequência de pesquisas mal elaboradas, mal interpretadas, ou simplesmente desmentidas por algum movimento de manada feito pelo eleitorado.

Enfim, pesquisa de opinião é coisa de homem humano, comentaria Riobaldo Tatarana.

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