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Há vaga para estadista

15/10/2014 22:58:42
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Terça-feira, 14, os dois candidatos apareceram para um debate. Cada um trouxe a sua coleção de esqueletos, já que não conseguem escondê-las. Em eleições passadas, já recebemos candidatos piores, até muito piores, o que não significa que a gente deva estar feliz.

Os dois tinham o propósito de destroçar o outro. Ouvidos por repórteres depois do debate, garantiram que aquela tinha sido uma boa ocasião de confrontar ideias e projetos. Ideias e projetos como “a senhora está mentindo” e “o senhor usou dinheiro público para presentear a família com um aeroporto”.

Ou seja, tanto Dilma quanto Aécio deixaram claro o quanto admiram e respeitam o adversário. Além de repetir várias vezes que Dilma é mentirosa – palavra que costuma ser repudiada até em botequins mal encarados –, Aécio se ocupou longamente das denúncias do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Segundo o candidato do PSDB, trata-se da revelação de um antro pior que o Mensalão.

Mas ninguém acusou Dilma de se beneficiar do esquema da Petrobrás, e muitos petistas apontam o vazio das denúncias, já que não existem provas. Para efeito de raciocínio, vamos admitir a hipótese de que tudo seja pura mentira, ou meias verdades distorcidas e ampliadas para prejudicar o PT. Se essa hipótese salvadora ficar clara, Dilma pode mandar fazer o vestido da posse?

Talvez, a não ser que o eleitorado se lembre de que delator, mesmo premiado, por definição é um bandido. Desde Judas, delatores são o fundo do poço da degradação humana. Não é crível que o Paulinho (como era chamado por autoridades o ex-diretor) fosse um exemplo de cidadão até a véspera, e de repente tenha começado a fazer denúncias falsas aos borbotões. Se não são falsas, ele é bandido confesso. Se forem falsas, ele é bandido também. Eis o homem sem salvação. E como é possível que uma pessoa com essas qualidades morais fosse diretor da Petrobrás?

E ninguém sabia de nada? Nem a presidência da empresa, nem os serviços de Inteligência do governo? Nesse caso, além de delator e bandido, Paulo Roberto Costa é um verdadeiro artista da dissimulação, um dos grandes intérpretes do nosso tempo.

Aécio e a imprensa têm o direito de incriminar Dilma pelo rastro de Paulinho, talvez não pelos supostos crimes de desvio de dinheiro, mas pela sua simples existência de malfeitor absoluto, seja nos seus atos ou na sua confissão.

Uma presidente que se permite ser tão desinformada talvez não seja uma estadista.

Do outro lado, Aécio Neves e seus desvios aeronáuticos. Um aeroporto de utilidade mal explicada, de operação ainda mais mal explicada, um misterioso tio contrariado (cobra 7,5 milhões de reais do Estado) na desapropriação da faixa de terra que deu lugar a aeroporto tão insignificante. São todas histórias fantásticas, como fantástico é também o episódio do helicóptero de propriedade de um amigo e aliado do candidato que se espatifou num campo contíguo à fazenda da família deste (e perto do agora famoso aeroporto) com meia tonelada de cocaína.

Como é que um candidato a presidente da República, num debate transmitido na TV para o país inteiro, pode ser obrigado a responder sobre um assunto de bas-fond como este? Admitamos que Aécio nada tenha a ver com essa lama. Tudo teria sido pirraça da casualidade. Mas será perfeitamente aceitável que um homem que amanhã pode ser presidente da República disponha de vaga nas suas amizades para o proprietário de um helicóptero que cai com meia tonelada de cocaína?

Um candidato que se permite ser tão mal acompanhado talvez não seja um estadista.

E assim vamos para o segundo turno. Todos os debates até agora serviram para mostrar a escassez de mão de obra de estadista. Antes perturbados pelos penetras da banda Fundo Partidário Kids, esses eventos tinham certo ar cômico. Agora, frente a frente, com todo o tempo para debater o Brasil, Dilma e Aécio se dedicam aos seus telhados de vidro.

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Terça-feira, 14, os dois candidatos apareceram para um debate. Cada um trouxe a sua coleção de esqueletos, já que não conseguem escondê-las. Em eleições passadas, já recebemos candidatos piores, até muito piores, o que não significa que a gente deva estar feliz.

Os dois tinham o propósito de destroçar o outro. Ouvidos por repórteres depois do debate, garantiram que aquela tinha sido uma boa ocasião de confrontar ideias e projetos. Ideias e projetos como “a senhora está mentindo” e “o senhor usou dinheiro público para presentear a família com um aeroporto”.

Ou seja, tanto Dilma quanto Aécio deixaram claro o quanto admiram e respeitam o adversário. Além de repetir várias vezes que Dilma é mentirosa – palavra que costuma ser repudiada até em botequins mal encarados –, Aécio se ocupou longamente das denúncias do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Segundo o candidato do PSDB, trata-se da revelação de um antro pior que o Mensalão.

Mas ninguém acusou Dilma de se beneficiar do esquema da Petrobrás, e muitos petistas apontam o vazio das denúncias, já que não existem provas. Para efeito de raciocínio, vamos admitir a hipótese de que tudo seja pura mentira, ou meias verdades distorcidas e ampliadas para prejudicar o PT. Se essa hipótese salvadora ficar clara, Dilma pode mandar fazer o vestido da posse?

Talvez, a não ser que o eleitorado se lembre de que delator, mesmo premiado, por definição é um bandido. Desde Judas, delatores são o fundo do poço da degradação humana. Não é crível que o Paulinho (como era chamado por autoridades o ex-diretor) fosse um exemplo de cidadão até a véspera, e de repente tenha começado a fazer denúncias falsas aos borbotões. Se não são falsas, ele é bandido confesso. Se forem falsas, ele é bandido também. Eis o homem sem salvação. E como é possível que uma pessoa com essas qualidades morais fosse diretor da Petrobrás?

E ninguém sabia de nada? Nem a presidência da empresa, nem os serviços de Inteligência do governo? Nesse caso, além de delator e bandido, Paulo Roberto Costa é um verdadeiro artista da dissimulação, um dos grandes intérpretes do nosso tempo.

Aécio e a imprensa têm o direito de incriminar Dilma pelo rastro de Paulinho, talvez não pelos supostos crimes de desvio de dinheiro, mas pela sua simples existência de malfeitor absoluto, seja nos seus atos ou na sua confissão.

Uma presidente que se permite ser tão desinformada talvez não seja uma estadista.

Do outro lado, Aécio Neves e seus desvios aeronáuticos. Um aeroporto de utilidade mal explicada, de operação ainda mais mal explicada, um misterioso tio contrariado (cobra 7,5 milhões de reais do Estado) na desapropriação da faixa de terra que deu lugar a aeroporto tão insignificante. São todas histórias fantásticas, como fantástico é também o episódio do helicóptero de propriedade de um amigo e aliado do candidato que se espatifou num campo contíguo à fazenda da família deste (e perto do agora famoso aeroporto) com meia tonelada de cocaína.

Como é que um candidato a presidente da República, num debate transmitido na TV para o país inteiro, pode ser obrigado a responder sobre um assunto de bas-fond como este? Admitamos que Aécio nada tenha a ver com essa lama. Tudo teria sido pirraça da casualidade. Mas será perfeitamente aceitável que um homem que amanhã pode ser presidente da República disponha de vaga nas suas amizades para o proprietário de um helicóptero que cai com meia tonelada de cocaína?

Um candidato que se permite ser tão mal acompanhado talvez não seja um estadista.

E assim vamos para o segundo turno. Todos os debates até agora serviram para mostrar a escassez de mão de obra de estadista. Antes perturbados pelos penetras da banda Fundo Partidário Kids, esses eventos tinham certo ar cômico. Agora, frente a frente, com todo o tempo para debater o Brasil, Dilma e Aécio se dedicam aos seus telhados de vidro.

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